Chávez diz que Kadafi aceita proposta de mediação para crise na Líbia
Chávez diz que Kadafi aceita proposta de mediação para crise na Líbia
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou na noite desta quinta-feira (03/03) que o líder da Líbia, Muamar Kadafi, concordou com a criação de uma “comissão de paz”, integrada por diferentes países para mediar a crise no país africano. De acordo com a agência Reuters, a vontade de Chávez é que o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva lidere o grupo de mediadores.
A iniciativa venezuelana, noticiada pela rede Al Jazeera, foi desqualificada pela oposição líbia e pela França. “Qualquer mediação que permita que o coronel Kadafi suceda a ele mesmo obviamente não é bem-vinda”, afirmou ontem o chanceler da França, Alain Juppé.
Chávez explicou durante um ato do PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) que conversou com Kadafi na terça-feira para consultá-lo sobre a possibilidade de uma comissão internacional de países visitar a Líbia.
“E (Kadafi) me disse: olha, Chávez, não só de países, tomara que venham as próprias Nações Unidas, para que vejam a verdade do que está ocorrendo antes de condenar o governo da Líbia e o povo líbio”, explicou o presidente venezuelano. “Muito antes de pensarem – continuou -, como já estão pensando e agindo, em invadir a Líbia, o que é uma loucura e, à frente dessa loucura, como sempre, o império 'ianque'”.
O presidente da Venezuela explicou que tomou a iniciativa de tentar ajudar a resolver o conflito por lembrar o papel desempenhado pelo líder cubano Fidel Castro durante a tentativa de golpe de Estado contra si, em abril de 2002. Chávez assinalou que Fidel “se movimentou por céu e terra e chamou meio mundo” para evitar uma guerra civil.
Chávez, que durante o ato leu o artigo “A guerra inevitável da Otan”, de Fidel, disse concordar com a opinião do ex-presidente de Cuba com relação à “colossal campanha de mentiras” sobre a Líbia. “É uma guerra civil o que há na Líbia. O que está acontecendo na Líbia não é o mesmo que ocorreu no Egito ou na Tunísia”, assinalou.
Ele também apelou ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para que reflita sobre a situação da Líbia e manifestou novamente que o presidente “é um homem de boas intenções, mas não tem a coragem de enfrentar o império”, ao acrescentar que, se o fizesse, “o mais provável” é que o matassem.
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Posição brasileira
O Brasil ainda não se manifestou a respeito da oferta feita pelo presidente Chávez, mas faz coro pela não intervenção militar na Líbia. O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, afirmou nesta sexta-feira que a vigilância do espaço aéreo da Líbia ou qualquer outra iniciativa militar adotada diante da situação registrada no país deve respeitar a Carta da ONU e as resoluções do Conselho de Segurança.
Ao término de uma visita de dois dias a Pequim para preparar a que será efetuada pela presidente Dilma Rousseff em abril, Patriota disse à imprensa que os eventos na Líbia e no mundo árabe “são de grande preocupação para o Brasil”.
Patriota destacou que o continente todo olha para a região dos conflitos e lembrou que em 2005 foi celebrada no Brasil a primeira cúpula América Latina-Países Árabes e a segunda no Catar. “O povo brasileiro é solidário às aspirações dos líbios a uma maior participação nas decisões (de poder)”, declarou.
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