Centros culturais de cidade mexicana estão abandonados por temor à violência
Centros culturais de cidade mexicana estão abandonados por temor à violência
Os centros culturais e de lazer em Ciudad Juárez, a cidade mais violenta do México, têm ficado vazios à noite pelo temor da população diante dos mais de 7 mil assassinatos cometidos na localidade nos últimos três anos.
Os eventos organizados pelo instituto de cultura do estado de Chihuahua nesta cidade caíram em 50% desde 2007, destacou o representante desta instituição, Carlos Hernández, à agência Efe.
Leia mais:
Grupo armado mata 15 adolescentes em festa em Ciudad Juárez
EUA enviarão agentes de inteligência para treinar autoridades de Ciudad Juárez
Repórteres revelam em projeto as dificuldades da travessia de imigrantes pelo México
México faz apreensão recorde de 105 toneladas de maconha na fronteira com os EUA
Denúncias apontam para existência de 'esquadrões da morte' no México
Muitos dos estabelecimentos que há alguns anos viviam cheios agora estão vazios.Fatos como o ocorrido no final de agosto, quando um homem de 22 anos foi assassinado a tiros em uma sala de cinema não encorajam os possíveis espectadores a substituir as poltronas de suas casas pelas destes estabelecimentos.
Segundo Hernández, eventos como os que acontecem ao ar livre na esplanada do Centro Cultural Paso del Norte (CCPN) sofreram mais com as consequências da violência, apesar de não haver nenhum registro de incidentes no lugar.
Das quase 18 mil pessoas que há alguns anos participavam desses eventos, a média passou para 3,5 mil e, em algumas ocasiões, não ultrapassam as 350, disse o funcionário.
“A violência nos atingiu e a presença de pessoas caiu muito, apesar de até o momento não ter sido registrado nenhum inconveniente”, acrescentou Hernández.
Em 2010 a violência dos grupos de narcotraficantes já causou mais de 2,3 mil mortes na cidade e seus habitantes costumam ter mais medo em locais abertos.
O principal teatro do CCPN, que leva o nome de um dos dramaturgos emblemáticos de Chihuahua, Víctor Hugo Rascón Banda, registrou nos espetáculos desta temporada apenas 400 presentes, ou seja, menos de 50% das pessoas que compareceram no ano passado.
Miguel Ángel Mendoza, diretor do CCPN destacou que a principal causa da queda do número de presentes nos eventos culturais é a insegurança, e que a crise econômica é apenas um fator secundário.
“Os meses de novembro e outubro são de temporada alta, ocupando 80% da capacidade. No entanto, esperamos menos para esta temporada”, declarou Mendoza à Efe.
Ángel Estrada, quem organiza eventos culturais na cidade, relatou que a falta de público por causa da insegurança o obrigou a pôr fim ao evento antes de tempo.
Estrada declarou que chegou a ser ameaçado por um grupo supostamente a serviço do narcotráfico que exigiu que ele pagasse uma quantia em dinheiro como comissão pela organização de eventos.
O responsável pelo CCPN destacou que, apesar das ameaças e do temor dos habitantes de Ciudad Juárez de sair às ruas, “a maquinaria cultural segue caminhando e movimentando-se”.
“Os criadores tentam formar uma resistência cultural contra o medo” que inunda a cidade, ressaltou.
Mendoza considerou que incentivar as pessoas a ir a espetáculos de cultura é “uma luta contra o medo”.
“Não podemos baixar a guarda. A cultura é uma maneira de diversão e de se esquecer da violência”, disse.
Siga o Opera Mundi no Twitter
NULL
NULL
NULL























