Segunda-feira, 27 de abril de 2026
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A COB (Central Operária Boliviana) convocou uma greve nacional na Bolívia por tempo indeterminado, com o objetivo de conquistar um aumento salarial maior do que os 5% ratificados no último domingo (2/5) pelo governo de Evo Morales. A convocação, que teve apoio de algum parlamentares governistas, é a primeira dissidência considerável na base de apoio ao presidente.

A paralisação, que deve ser iniciada na próxima segunda-feira, foi aprovada por 39 das 50 organizações trabalhistas que formam a COB, segundo o secretário-executivo da entidade, Pedro Montes.

A central sindical também convocou seus afiliados para uma marcha de duzentos quilômetros que deverá ser percorrida a pé.  O protesto partirá do município de Caracollo, a cerca de 200 quilômetros da capital, La Paz, e passará pelas estradas que ligam a cidade ao interior.

Enquanto isso, o vice-presidente Alvaro García Linera – atualmente como presidente em exercício – denunciou a greve como “contra-revolucionária”, insuflada por “três ou quatro agentes infiltrados” na COB, que, segundo ele, estariam a serviço da “extrema-direita crioula”.

“Os mesmos contra-revolucionários, da mesma linha política da direita contra-revolucionária que em 1985” arou o terreno para instaurar um modelo de economia liberal e “para que o MNR (Movimento Nacionalista Revolucionário, liberal), a ADN (Ação Democrática Nacionalista, conservadora) e o MIR (Movimento da Esquerda Revolucionária, social-democrata), que em várias alianças governaram a Bolívia durante duas décadas, pisotearam os bolivianos durante 20 anos”, até 2005, quando Evo Morales foi eleito, afirmou García Linera, segundo a agência de notícias boliviana ABI.

Desde a semana passada, diversos setores protestam contra os valores cotados para o acréscimo. Eles exigem um aumento mínimo de 12%, além de uma nova lei de trabalho e medidas para reativar a produção, segundo Montes.

Até o momento, o governo se recusou a aumentar os salários acima de 5%, mas disse estar disposto a negociar sobre outras demandas trabalhistas.

Saúde e educação

O anúncio da greve geral ocorreu ao mesmo tempo em que vários dirigentes sindicais da indústria encerraram uma greve de fome de dez dias.

Entre os setores que protestam contra a proposta oficial está também o da educação. Professores afirmam que o governo “mantém a política neoliberal” e exigem um salário mínimo de 7,5 mil bolivianos (1.848 reais).

Já os trabalhadores da área da saúde também reivindicam um acréscimo mais expressivo e exigem que seu setor não seja incorporado ao regime dos empregados públicos em uma eventual nova lei-geral do trabalho. Há ainda o protesto de agentes da polícia, suboficiais e sargentos das forças armadas.

Central sindical convoca greve geral na Bolívia

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