Centenas de pessoas organizam ato em apoio a juiz na Espanha
Centenas de pessoas organizam ato em apoio a juiz na Espanha
Alunos, professores, sindicalistas, antigos procuradores, políticos e artistas espanhóis se manifestaram ontem (13/4) contra o processo instaurado ao juiz Baltasar Garzón, famoso por determinar a prisão do ex-general chileno Augusto Pinochet e investigar crimes contra a humanidade.
O juiz do Supremo Tribunal espanhol, Luciano Varela, considerou procedente um pedido – formulado pela organização franquista Falange, pela organização de extrema-direita Mãos Limpas e pela associação Liberdade e Igualdade – para que o juiz seja julgado por fazer uma investigação sobre a Guerra Civil Espanhola e os crimes do franquismo. Em 1977 uma Lei de Anistia foi aprovada na Espanha.
Efe

Representantes da organização argentina Mães da Praça de Maio estiveram presentes ao ato
Garzón é acusado de prevaricação, delito segundo o qual um funcionário público conscientemente toma uma decisão ilegal. Caso condenado, pode pegar entre 10 e 20 anos de suspensão de suas funções, o que colocaria um ponto final em sua carreira no Judiciário.
“Espero que não tenhamos de passar pela vergonha de ver o juiz Garzón ser condenado por perseguir o franquismo e a corrupção e ser um juiz justo”, disse o ex-procurador Carlos Villarejo, segundo o jornal espanhol El Pais.
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No manifesto que leu no auditório da Faculdade de Medicina da Universidade Complutense em Madri, Villarejo atacou o Supremo Tribunal. “A admissão das queixas é uma falta de respeito com as vítimas do franquismo e um instrumento para favorecer o fascismo na Espanha”, disse, acrescentando que no tribunal há pessoas que estiveram na alta esfera do regime franquista e que foram “cúmplices de tortura”.
Cándido Méndez, do sindicato de esquerda UGT, considerou uma “vergonha histórica” o julgamento de Garzón por “filhos da ditadura franquista”. Férnandez Toxo, do sindicato CCOO, sublinhou que “a Lei da Anistia não pode amparar o genocídio”.
Enquanto os dois líderes sindicalistas falavam, as pessoas presentes entoaram gritos de “No pasarán”, ouvido durante a Guerra Civil e agitaram bandeiras republicanas. Aqueles que apóiam Garzón consideram que o processo é uma vingança pela instrução do caso Gürtel, que envolve muitos governantes do Partido Popular, partido na oposição.
A secretária-geral do PP, María Dolores de Cospedal, considerou que a homenagem ontem feita a Garzón, a primeira de muitas nos próximos dias, é uma tentativa de “pressionar e coagir” a justiça. “É uma barbaridade que do mundo sindical se tente pressionar um juiz, neste caso o juiz Varela, que está exercendo a sua magistratura segundo a lei”.
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