Domingo, 19 de abril de 2026
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Orlando Barria/EFE



Escombros no centro de Porto Príncipe no dia seguinte ao violento tremor de terra

Não se sabe ainda quantas vidas foram ceifadas pelo terremoto de 7 graus que assolou o Haiti ontem (12). Mas o governo deixou claro que o número é alto, podendo chegar a centenas de milhares.

Segundo o presidente René Préval, a situação é “inimaginável”, com cenas trágicas em hospitais e escolas. Em entrevista ao Miami Herald, o presidente disse haver milhares de vítimas e confirmou que entre os desaparecidos, estão o chefe da missão das Nações Unidas no Haiti, o tunisiano Hédi Annabi, seu adjunto, o brasileiro Luiz Carlos da Costa, e o arcebispo de Porto Príncipe, Joseph Serge Miot.

Mais tarde, em entrevista à emissora norte-americana CNN, em resposta a perguntas insistentes e visivelmente transtornado, o presidente afirmou que Annabi já estaria morto. A informação, no entanto, não foi confirmada pela ONU.

“O parlamento ruiu, o departamento de receita ruiu, escolas ruiram, hospitais também. Há várias escolas cheias de pessoas mortas. Todos os hospitais estão lotados de corpos”, disse Preval ao Herald. “É uma catástrofe”.

Posterioremente, o primeiro-ministro Jean Max Bellerive estimou em “centenas de milhares” o número de mortos, segundo a emissora CNN. Destacou, porém, que os haitianos estão se comportando com “calma”. “A população reagiu com maturidade. As pessoas estão tentando ajudar as outras, tentando se organizar”, explicou.

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A primeira-dama, Elisabeth Préval, disse que tem passado “por corpos mortos” e ouvido súplicas de pessoas presas em escombros. Caso do Senado, onde o presidente da Casa, Kely Bastien, sobreviveu e pede ajuda.

O senador Joseph Lambert descreveu as condições do país. “Imagine escolas, hospitais, prédios do governo, todos destruídos”. Perguntado sobre a perspectiva de reconstrução do país, disse: “É uma catástrofe, mas não temos outra escolha além da reconstrução”. Lambert disse confiar na ajuda da comunidade internacional. René Préval também.

Além do chefe da missão da ONU, a organização confirmou a morte de cinco funcionários e o desaparecimento de outros 200.

Dos militares brasileiros, que lideram a missão de estabilização das Nações Unidas (Minustah), o exército confirmou a morte de pelo menos 11, entre eles um coronel. Quatro estão desaparecidos, três estão sob os escombros e sete ficaram feridos. Morreu também a médica e ativista Zilda Arns, da Pastoral da Criança.

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Sul-americanos

Duncan Silva, coronel da força aérea do Chile e chefe das unidades no Haiti, disse que “é difícil dimensionar” o número de mortos, feridos e desaparecidos. Ainda segundo ele, duas chilenas estão desaparecidas : María Teresa Dowling, esposa de um general, que se encontrava no hotel Montana, que desabou, e  Andréia Lois, da Minustah.

No Uruguai, o Exército informou o desaparecimento do tenente coronel Gonzalo Martirené, que trabalha no quartel-general da ONU em Porto Príncipe.

O governo argentino anunciou a morte do oficial argentino Gustavo Gómez. Em comunicado oficial, as autoridades argentinas lembraram que “ainda não foi possível estabelecer contato direto com outro integrante do contingente que se encontrava em cidades situadas a 35 quilômetros de Porto Príncipe, pois todos os sistemas de comunicações entraram em colapso”.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, anunciou que a organização deve liberar 10 milhões de dólares de um “fundo de emergência” num primeiro momento para operações imediatas.

“Não há dúvida de que enfrentamos uma grande emergência humanitária e que serão necessários os maiores esforços de assistência”, disse Ban, que pediu “ajuda urgente”. 

(atualizado às 22h54)

Centenas de milhares de pessoas podem ter morrido, segundo o governo do Haiti

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