"Caso é histórico", diz juiz que preside julgamento de ex-ditador argentino
"Caso é histórico", diz juiz que preside julgamento de ex-ditador argentino
O juiz da Corte Federal em Córdoba, na Argentina, Jaime Diaz Gavi,
afirmou hoje (6/7) que o julgamento do ex-presidente argentino Jorge
Rafael Videla (que governou de 1976 a 1981) é “histórico”. O magistrado
disse que o ex-ditador deve responder por “atos criminosos”. Para ele, o
fato de Videla ter assumido ontem (5/7) responsabilidades sobre crimes
cometidos ao longo do seu governo não devem se repetir nesta
terça-feira.
As informações são da agência oficial da Argentina, a Telam. As declarações de Videla
surpreenderam durante o julgamento. “Reitero e assumo plenamente as
minhas responsabilidades em todas as ações tomadas pelos militares do
Exército argentino na guerra contra os rebeldes”, disse Videla. “Os
subordinados se militaram a cumprir minhas ordens”, acrescentou.
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Ontem foi um longo dia de audiência, que começou às 10h45 e seguiu
até as 20h25. A sessão será retomada hoje. Desde sexta-feira (2/7), em
Córdoba, ocorre o julgamento do ex-presidente e do ex-general Luciano
Benjamin Menéndez – acusados de violação aos direitos humanos durante a
ditadura no país.
É o terceiro julgamento por crimes contra a humanidade, em
Córdoba, e o primeiro de Videla depois que houve um julgamento de
membros da junta militar. Videla e Menendez são acusados em dois
processos – a morte de 32 presos políticos, sequestros e torturas
cometidos pelo Departamento de Polícia de Informações (conhecido pela
sigla D2). Um dos casos mais emblemáticos é conhecido por UP1 e o
principal acusado é Videla.
O ex-presidente é apontado como o mandante da execução de 32
prisioneiros políticos, no período de abril a outubro de 1976, em San
Martín Prison Unit – na cidade de Córdoba. As vítimas foram presas
antes do golpe de Estado de 24 de março de 1974, acusadas pelo
Judiciário da época de violar a lei contra a subversão. Homens e
mulheres foram massacrados até a morte em circunstâncias diferentes.
Menendez, como fez em outros momentos, recusou-se a depor e
repetiu o discurso sobre a suposta “inconstitucionalidade” do tribunal
para julgar a “guerra para derrotar o terrorismo marxista que tinha
assaltado o país” . Ele disse, porém, que era “o único responsável pelos
“atos de seus subordinados”.
O tribunal é presidido por Gavi, acompanhado por Carlos Lascano,
Julio María José Pérez Villalobos e Carlos Arturo Ochoa. A acusação, por
meio do Ministério Público, é conduzida por Carlos Maximiliano e
Hairabedián Gonella, além do apoio de Pablo Bustos Fierro.
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