Sexta-feira, 24 de abril de 2026
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O Vaticano divulgou hoje (20) uma carta escrita pelo papa Bento XVI aos católicos da Irlanda em que ordena uma inspeção nas dioceses, e seminários em que foram registrados casos de pedofilia e expressa  “vergonha e remorso” em razão do ocorrido, mas não convence vítimas do caso.

O documento foi escrito após as acusações, no ano passado, de casos de pedofilia dentro da igreja católica irlandesa e posteriormente revelados também em outros países como Alemanha, terra natal do papa.

Bento XVI pediu perdão as vítimas e afirmou que os envolvidos nos abusos responderão pelos crimes “perante Deus e os tribunais”.

“Vocês perderam a estima do povo irlandês e lançaram vergonha e desonra sobre vossos semelhantes. Além do imenso dano às vítimas, houve um enorme dano à Igreja e à percepção pública do sacerdócio e da vida religiosa”, disse.

Para ele, nada será capaz de apagar o mal que as vítimas sofreram, nem recuperar a confiança que tinham nos sacerdotes. “É compreensível que [para os menores que foram abusados] seja difícil perdoar ou se reconciliar com a Igreja. Em seu nome, expresso abertamente a vergonha e o remorso que todos nós sentimos”, acrescentou.

O Cardeal Sean Brady, que no começo da semana se viu obrigado a pedir perdão por ter escondido os abusos contra menores cometidos por um padre pedófilo nos anos 1970,  agradeceu as palavras e o apoio do papa.

“Celebro a publicação desta carta. Estou profundamente agradecido ao Santo Padre por sua enorme preocupação e amabilidade”, disse após missa na Irlanda do Norte.

Reprovação

As vítimas, por outro lado, criticaram a reposta do papa e se declararam decepcionadas com o conteúdo da carta pastoral.

“Sentimos que a carta fica aquém [das expectativas] na hora de abordar as preocupações das vítimas”, disse Maeve Lewis, diretora-executiva do grupo de vítimas abusadas One in Four.

Para ela, o Vaticano se esquivou da responsabilidade dos casos de pedofolia e cometeu um grande erro ao não pedir a renúncia do primaz da Igreja Católica irlandesa, o cardeal Sean Brady.

Outra vítima dos abusos, Andrew Madden, afirmou em nota que a Carta “não aborda este assunto com total seriedade” e sequer tocou nos assuntos apresentados pelos grupos de vítimas ao papa em carta aberta no mês passado.

“Uma carta pastoral não é a maneira de dar uma resposta aos relatórios que tratavam de violações, maus-tratos e abusos sexuais contra crianças cometidos por padres e religiosos neste país e que foram ocultados pelas autoridades da Igreja”, concluiu Madden.

* Com informações da Agência Efe

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Carta com pedido de desculpas de Bento XVI é criticada por vítimas de abusos sexuais na Irlanda

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