Candidatos presidenciais se preparam para uma disputa voto a voto no Chile
Candidatos presidenciais se preparam para uma disputa voto a voto no Chile
O intervalo entre os dois turnos da eleição presidencial chilena – cinco semanas – é um dos mais compridos da região. No entanto, para os partidários do candidato governista Eduardo Frei, o tempo pareceu curto. O democrata-cristão, que representa a Concertação, a coalizão de centro-esquerda que governa o Chile desde 1990, conseguiu durante estas semanas recuperar grande parte da distância que o separava do direitista Sebastián Piñera. A sensação em seu comitê de campanha é que bastariam alguns dias a mais para vencer. Só que a eleição será neste domingo.
No primeiro turno, realizado em 13 de dezembro, Piñera obteve 44% dos votos, contra 29% de Frei, ou seja, 15 pontos de diferença. Há dois dias, uma última pesquisa de opinião, feita pelo instituto Mori (Market Opinion Research International) revelou que a distância entre os dois candidatos tinha caído para 1,8 ponto, representando 126 mil eleitores: 50,9% contra 49,1%.
Marta Lagos, diretora do instituto ressaltou que a pesquisa tinha sido fechada no começo da semana, e não incluía o impacto eventual das declarações de Marco-Enriquez Ominami, o candidato dissidente do Partido Socialista derrotado no primeiro turno, com pouco mais de 20% dos votos.
Após ter se recusado durante um mês a apoiar algum candidato, pois chama os dois de “filhos do passado”, o deputado de 36 anos anunciou na quarta-feira (13) que votaria em Frei, deixando, porém, “total liberdade de ação” para seus eleitores. Ele justificou sua preferência em razão de “um abismo de diferenças inconciliáveis” que tem com a direita chilena.
Leia também:
Ominami declara apoio tácito a Frei
Filho de um guerrilheiro morto durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), MEO, como é chamado pelos chilenos em referência às inicias de seu nome, declarou também que “muitos dos que apoiam Sebastián Piñera eram cúmplices dos que assassinaram” seu pai.
Fotos:EFE


Frei (no alto) e Piñera (acima) em campanha pelos últimos votos disponíveis nesta sexta
Falta de entusiasmo
Os partidários de Frei interpretaram este anúncio como uma nova fonte de esperança. “Piñera tem ainda uma probabilidade maior de vencer, mas uma surpresa não é impossível”, avalia, de Santiago, o dirigente socialista Roberto Pizarro. Para ele, o apoio tardio de MEO foi “bom”, apesar de ser “pouco preciso”.
De fato, o jovem deputado deixou clara a falta de entusiasmo na hora de declarar apoio. Não pronuncio uma vez sequer o nome de Frei, declarando apenas sua “decisão de apoiar o candidato dos 29% dos chilenos que votaram no dia 13 de dezembro”, em referência à porcentagem obtida no primeiro turno.
Marta Lagos lembra também da margem de erro de três pontos percentuais para mais e para menos e conclui que, qualquer que seja o resultado, os chilenos devem se preparar para uma eleição muito apertada.
É nessa perspectiva que ambos os candidatos apelaram aos indecisos para não sacrificarem seus votos. Segundo Marta Lagos, 7% dos 8,3 milhões de eleitores não sabiam, no começo da semana, em quem iriam votar.
Em dezembro passado, foram contabilizados mais de 285 mil votos nulos ou brancos, ou seja, mais que o dobro da diferença nas intenções de votos entre Frei e Piñera segundo a pesquisa.
Durante seu último comício, em San Gregorio, bairro pobre no sul de Santiago, Frei cedeu a palavra ao ex-presidente Ricardo Lagos. O socialista, que governou o país entre 2000 e 2006, pediu para os eleitores votarem em Frei para “dar continuação ao trabalho da Concertação”. O presidente do Partido Comunista, Guillermo Tellier, presente à cerimônia, também convocou os eleitores a evitarem o avanço da direita.
Apoio explícito
No entanto, o respaldo mais importante veio da presidente Michelle Bachelet, que termina seu mandato com uma popularidade de cerca de 80%. “Eu voto no Frei porque é uma pessoa honesta, que quando decidiu se dedicar à vida pública, separou os negócios. Ele fez isso naquela época, não depois de ser eleito”, disse durante entrevista à Rádio Cooperativa.
É uma alusão direta a Piñera, cuja fortuna ultrapassa um bilhão de dólares, segundo a revista Forbes. O conservador recusou vender seus 26% de ações na companhia aérea Lan antes da eleição. Também anunciou que ia conservar a propriedade do canal Chilevision, assim como os 13% do Colo Colo, o time de futebol mais popular do país.
Piñera prega mudança
O apoio explícito da chefe de Estado a Frei foi duramente criticado pela direita. Em seu último comício, organizado em Talca, 250 quilômetros ao sul de Santiago, o empresário denunciou o comportamento de Bachelet. “Um presidente ou uma presidente nunca, nunca, nem sequer dois ou três dias antes de uma eleição, pode esquecer que é presidente de todos os chilenos”.
Piñera também fez um apelo aos eleitores de Enríquez-Ominami, dizendo que estão “livres para votar pela mudança”.
Ambos os candidatos estão tentando colocar representantes em cada uma das 35 mil mesas eleitorais do país, já que fica claro que a batalha será voto a voto.
Os chilenos costumam dizer que “o pão pode ser queimado na porta do forno”. No segundo turno de 2000, a maioria das pesquisas dava o direitista Joaquín Lavín como ganhador. Na noite de domingo, porém, o nome que saiu das urnas como novo presidente foi o do socialista Ricardo Lagos, com uma vantagem de 2,6 pontos.
NULL
NULL
NULL























