Terça-feira, 14 de abril de 2026
APOIE
Menu

O ex-governador Manfred Reyes Villa, candidato derrotado nas últimas eleições presidenciais na Bolívia, deverá comparecer à Justiça no dia 5 de janeiro para depor como testemunha em um processo sobre as mortes de 63 pessoas ocorridas em outubro de 2003. Na época, forças oficiais reprimiram manifestações que pediam a renúncia do então presidente, Gonzalo Sánchez de Lozada.

Reyes Villa está impedido pela Justiça de deixar a Bolívia por ser acusado de 14 crimes administrativos que teriam lesado os cofres públicos em milhões de dólares no período em que governou o departamento de Cochabamba, entre 2005 e 2008.

O político foi o principal candidato da oposição ao governo boliviano nas eleições deste mês, concorrendo pelo Plano Progresso para a Bolívia (PPB) e obtendo 26,4% dos votos. Ele perdeu para o atual presidente, Evo Morales, que teve 64,2% dos votos.

Ontem (27), por meio de uma nota, Reyes Villa afirmou que está disposto a recorrer a tribunais internacionais para provar sua inocência.

“Caso não sejam restituídas em breve as garantias de devido processo no país, declaro-me disposto a submeter-me a tribunais internacionais que esclareçam a verdade sem a pressão política de nenhum governo”, disse.

No entanto, o vice-ministro de Coordenação Governamental, Wilfredo Chávez, afirmou que, antes disso, seria necessário Reyes Villa “esgotar a via jurisdicional” na Bolívia.

Clandestinidade

Na quinta-feira, Evo Morales disse estar convencido de que o ex-governador teria fugido do país. “Do Ministério de Governo me dizem que está escondido na Bolívia. Mas quero ser sincero: não posso acreditar nisso”, afirmou.

Dias antes das eleições, realizadas no dia 6 de dezembro, o presidente Evo Morales disse que o opositor havia decidido se candidatar apenas para evitar ser preso. O candidato a vice na chapa do PPB, Leopoldo Fernández, ex-governador de Pando, já está preso acusado de responsabilidade pelas mortes de 17 camponeses, em setembro do ano passado, no episódio que ficou conhecido como “massacre de Pando”.

O assessor de imprensa de Reyes Villa, Erick Fajardo, disse que o ex-candidato só se apresentará a justiça “se houver garantias”. Há dez dias, o político negou que estivesse vivendo na Bolívia na condição de “clandestino”, como chegaram a afirmar líderes de seu partido.

“A perseguição instruída pelo governo contra a minha pessoa, a minha família e meus colaboradores é um atropelo injustificável, nascido do ódio e da intolerância política”, disse.

Candidato derrotado na Bolívia deve depor na próxima semana

NULL

NULL

NULL