Quarta-feira, 8 de abril de 2026
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A campanha eleitoral para as eleições hondurenhas, marcadas para 29 de novembro, se encerrou sem grandes acontecimentos ou distúrbios. No passado ficaram os grandes concertos de música no estádio Nacional de Tegucigalpa, com grupos como Los Tigres del Norte e Paquita la del Barrio. Esse ano, os espaços vazios trouxeram somente os discursos em tom vencedor dos candidatos, incapazes de evitar constantes referências à crise política que assola o país desde o golpe de Estado de 28 de junho.

“Essa crise atingiu a todos, mas como tudo na vida, ela passará, tem solução, pois o povo votará. Assim Honduras será salva”, afirmou o candidato do Partido Liberal, Elvin Santos, acompanhado no palanque pelo ministro da Presidência do governo golpista, Rafael Pineda Ponce.

Santos é um dos principais opositores à restituição de Manuel Zelaya, apesar de ter sido vice-presidente de seu governo, até renunciar ao cargo pouco antes do golpe para competir nas primárias contra o líder da ditadura, Roberto Micheletti. Homem forte da cúpula empresarial hondurenha, o candidato da oligarquia representa a ala mais direitista do partido, que atualmente se encontra totalmente fracionado.

De fato, na sexta-feira (20), 31 liberalistas renunciaram às suas candidaturas, dentre eles, a designada para a vice-presidência, Margarita Elvir Zelaya, por considerar que participar das eleições equivaleria a “validar que nada aconteceu em Honduras e que as condições políticas e institucionais seguem iguais”.

Mesmo com o duro golpe a uma semana das eleições, Santos apresentou um novo candidato à vice-presidência e passou batido pela crise que afeta o partido. “O partido está vivo, respira e caminha em direção ao triunfo”, declarou.

Favorito

Enquanto Santos é sinônimo de crise, outro candidato com chances nas eleições, Porfirio Lobo, do Partido Nacional, simboliza o esquecimento do passado e o direcionamento para novos caminhos. De acordo com as pesquisas de opinião, é o favorito. A última pesquisa da consultoria Cid Gallup, divulgada em 28 de outubro, apontava que Lobo (37%) tinha vantagem de 16 pontos sobre Santos (21%), além de observar que a crise constitucional havia prejudicado Santos.

Apesar de pertencer ao Partido Nacional, tradicionalmente de direita, Lobo deve seu apoio aos setores populares, os quais capitalizou em sua campanha. “Primeiro os pobres”, reza seu slogan e que ontem (23) foi repetido à exaustão. O político deseja afastar-se do programa de governo dos nacionalistas que defendeu há quatro anos, quando perdeu para Zelaya, com um discurso que defendia a restauração da pena de morte. Hoje, ele se insere com um discurso humanista cristão, como ele mesmo defendeu ontem. Lobo chegou a estudar na ex-União Soviética quando jovem.

Com isso, Lobo desperta desconfiança entre as elites econômicas, vide seu passado esquerdista e pelo caráter obstinado e pouco domável que lembra o do presidente deposto. Além disso, desde 28 de junho, foi o único candidato dos partidos tradicionais que reconheceu que Zelaya deveria ter sido restituído, apesar de após o acordo de Tegucigalpa-San José, não ter feito qualquer esforço no Congresso para que ele fosse aprovado.

Ontem o político nacionalista fez um chamado à reconciliação nacional, para que se superem “as diferenças e unidos todos sigam em frente”, sem a ingerência estrangeira. “Não aceitaremos imposições políticas de nenhum tipo. Nem do sul nem do norte. Nós hondurenhos vamos nos erguer como povo”, disse no ato público. E o fez horas após Zelaya reiterar em uma carta o pedido para que a comunidade internacional rechace as eleições, única arma que lhe resta.

Até o momento, Estados Unidos e Panamá respaldaram publicamente as eleições e o temor é que conforme os dias passem, mais países sigam nesse caminho e ignorem o problema de Honduras.

Campanha política em Honduras se encerra em clima de instabilidade

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