Sábado, 4 de abril de 2026
APOIE
Menu

A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou na madrugada desta quinta-feira o projeto de lei de radiodifusão elaborado pelo governo, após 13 horas de debates. A aprovação foi obtida depois que os deputados oposicionistas da UCR (União Cívica Radical), da União-Pro e da Coalizão Cívica e os dissidentes do PJ (Partido Justicialista) se retiraram da votação, denunciando que a sessão era nula, e também por meio do apoio dado por socialistas e outros blocos de esquerda (Solidariedade e Igualdade e Projeto Sul, de Pino Solanas) ao governo.

Foram 147 votos – do governo e grupos minoritários afins – a favor, 3 votos negativos e 3 abstenções, além dos 104 deputados opositores ausentes.

A iniciativa pretende substituir à legislação vigente desde a última ditadura militar (1976-1983) e deve ainda ser aprovada pelo Senado, previsivelmente em outubro.

Segundo o jornal argentino Pagina 12, os deputados opositores questionaram a “legitimidade do procedimento parlamentário” e fizeram duras críticas à possibilidade de o Poder Executivo controlar o órgão responsável pela aplicação da lei e de haver uma manipulação arbitrária da concessão de licenças.

A sessão foi dominada por denúncias da oposição de que vários pontos do regimento interno da Câmara foram desrespeitados e de que, portanto, o tratamento dado ao projeto era inconstitucional. Para os deputados oposicionistas, a sessão da Câmara é nula. “Decidimos fazer o fazemos sempre quando é a oposição que fala em sessão especial e não tem quórum: discutimos, debatemos e não votamos”, afirmou o líder do bloco radical, Oscar Aguad.

Ao final, Agustín Rossi, do bloco oficialista, lamentou a postura da oposição. “Foi um grande erro da oposição a decisão de se levantar e sair”, disse. “Os aconselho que não decidam ir à Justiça, porque sempre que fazem isso, acabam mal”.

O governo alega que a legislação eliminará os atuais “monopólios” de comunicação. No entanto, a oposição sustenta que a lei abrirá o caminho para maior presença estatal em canais de TV e rádios, além de grupos empresariais aliados do governo. 

Projeto

A nova lei criará uma comissão bicameral de controle da “autoridade de aplicação”, um Conselho Federal de Comunicação Audiovisual e a figura do Defensor Público de consumidores de serviços audiovisuais.

O texto estabelece que uma empresa não pode ter mais de dez estações de rádio e televisão, 14 menos que o limite atual, e que também não pode ser titular de um canal de TV de ar e de um de cabo em uma mesma localidade, um dos pontos que maiores críticas provocou entre as empresas com interesses no setor.

Também cria quotas de produção local e indica que as companhias podem ter até um 30% de participação estrangeira, salvo que se trate de uma empresa de um país que tenha assinado um tratado de “reciprocidade efetiva” com a Argentina, o que habilita uma participação majoritária de capital de origem estrangeiro.

O apoio à iniciativa aumentou depois que a presidente anunciou na segunda-feira a eliminação da permissão para que as empresas telefônicas entrem ao sistema de meios audiovisuais por meio do serviço adicional de televisão por subscrição.

Câmara dos deputados aprova projeto de lei de radiodifusão na Argentina

NULL

NULL

NULL