Quinta-feira, 23 de abril de 2026
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Elaborar um plano de trabalho para que o Brasil possa se tornar a quinta potência mundial até 2022, quando completará 200 anos de independência, é a tarefa que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confiou ao embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE).

O chamado “Plano 2022”, de caráter reservado, lista 150 metas e ações estratégicas, sobre temas variados: segurança urbana, cultura, defesa, tecnologia e política externa. Neste último, um dos objetivos é ter “forças armadas à altura do Brasil para defender as fronteiras e os recursos naturais”, como Guimarães, ex-secretário-geral do Itamaraty, afirmou em entrevista coletiva à imprensa estrangeira no Rio de Janeiro.

Sem oferecer números, o ministro disse que o orçamento da defesa é “muito baixo”. Ele é a favor de uma dinamização da indústria de defesa nacional, baseada, entre outros planos, no desenvolvimento do submarino com capacidade de propulsão nuclear.

O orçamento brasileiro para a área de defesa, incluindo as três forças militares mais a estrutura do ministério, foi de 51,3 bilhões de reais em 2009, valor inferior ao do Chile (equivalente a 58 milhões de reais) e quase 20 vezes inferior ao dos Estados Unidos (500 bilhões de dólares).

 

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A presença do Brasil nos principais centros de decisão internacional, com uma vaga permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, por exemplo, é também uma meta a ser alcançada antes de 2022. “Dentro das ações previstas, está a consolidação da presença brasileira em missões de paz, como no Haiti”, onde o Brasil comanda a missão de paz (Minustah) desde sua criação, em 2005. “É um fato inédito. Normalmente, há uma alternância no comando da missão, mas nesse caso, nos pediram para permanecer”, acrescenta, com orgulho.

Guimarães menosprezou o fato de o Brasil não ter o apoio da Argentina e do México para uma vaga permanente no Conselho de Segurança. “Não é para representar uma região que uma nação entra no conselho: os EUA não representam a América do Norte, nem a França ou o Reino Unido representam a Europa”. Ele disse que na Europa, a Itália e a Espanha são contra a candidatura da Alemanha, e que a Índia não tem o apoio do Paquistão – neste caso, trata-se de dois países fortemente rivais, inclusive .

Todos os ministérios participaram da elaboração do documento através de grupos de trabalho, enquanto a coordenação foi feita pela SAE, com apoio da Casa Civil e do Ipea (Institutos de Pesquisas Econômicas Aplicadas). “Daqui a pouco, vamos organizar debates públicos em todo o Brasil para fazer a população participar”, revela o ministro.

Para o novo ministro – ele foi nomeado há três meses – existem três maneiras de medir o potencial de uma nação. “Podemos fazer uma lista dos dez países com o território maior, uma lista dos dez países com população maior, e uma última dos dez países com produto interior bruto maior. No final, somente três nações fazem parte das três listas: os Estados Unidos, a China e o Brasil. Ou seja, temos todos os ingredientes para ser uma grande potência”, declara Guimarães.

Bolsa Família

No âmbito interno, um dos planos é mudar os parâmetros do programa Bolsa Família, concedido atualmente às famílias com renda mensal de até R$ 140. “É um critério absoluto. A gente está pensando na possibilidade de criar um patamar relativo, que depende da relação entre os 10% mais ricos, que detêm 44% da renda nacional, e os 10% mais pobres, que detêm só 1% da riqueza. É a única maneira de garantir uma redução continua dessa disparidade”, explica Guimarães.

Reconhecendo que esta mudança pode implicar um aumento significativo do número de beneficiados, ele disse que os recursos virão do fundo social do pré-sal. “Além disso, é importante lembrar que a política social gera atividade econômica, o que tem um impacto positivo nas receitas fiscais do Estado”.

Brasil traça plano para se tornar quinta potência mundial até 2022

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