Brasil receberá em dezembro o quinto prêmio Right Livelihood Award, o Nobel alternativo
Brasil receberá em dezembro o quinto prêmio Right Livelihood Award, o Nobel alternativo
Tivesse a Fundação Nobel aceito os argumentos do filatelista sueco-alemão Jakob von Uexkull e o Brasil teria uma participação bem mais significativa na lista de vencedores do que a solitária presença do zoólogo britânico nascido em Petrópolis (RJ) Peter Medawar, Nobel de Fisiologia e Medicina em 1960. Von Uexkull sugeriu à Fundação que criasse um prêmio em favor dos que lutam pela desigualdade no mundo. Ao receber um não como resposta, vendeu seu próprio negócio para obter os recursos iniciais e criou em 1980 o Right Livelihood Award, conhecido na Suécia como Nobel Alternativo e que já premiou o Brasil quatro vezes. A quinta acontecerá em dezembro.
O Brasil tem uma grande participação na história do Right Livelihood, um sinal de que existem figuras importantes e uma influência positiva do país na luta contra a desigualdade. Mas também um sinal de que ainda há um longo caminho pela frente”, afirma em entrevista ao Opera Mundi Ole von Uexkull, desde 2005 à frente da premiação criada pelo tio Jakob.
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O Nobel Alternativo premia quatro pessoas ou instituições a cada ano, dividindo 200 mil euros (R$ 465 mil) entre elas. O anúncio dos vencedores de 2010, escolhidos entre 120 candidatos de 51 países, aconteceu na semana passada na sede do Ministério das Relações Exteriores da Suécia, em Estocolmo. Um do nomes foi o de Erwin Kräutler, austríaco naturalizado brasileiro, bispo da Prelazia do Xingu, em Altamira (PA), e presidente do Cimi (Conselho Indígena Missionário).
“Erwin Kräutler recebe o Right Livelihood por uma vida dedicada ao trabalho com direitos humanos e ambientais dos povos indígenas, e por seu incansável esforço para salvar a Amazônia da destruição. Principalmente na luta contra o estabelecimento da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, que causará a inundação de área da Floresta Amazônica e o remanejamento de comunidades indígenas”, afirma Ole.
O diretor-executivo do Nobel Alternativo sabe que a construção da usina conta com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que o anúncio dos premiados foi feito em meio à campanha presidencial no Brasil. Ele diz que gostaria que a premiação pudesse influenciar o debate no país sobre a Belo Monte.
“Ninguém sabe ao certo o impacto ambiental de uma obra desta magnitude. Mas quero deixar claro que o objetivo do Right Livelihood não é questionar o governo brasileiro. Nosso prêmio é pelo trabalho de uma pessoa, não contra uma instituição. Se pudermos promover uma discussão sobre o tema no país, melhor ainda”.
O primeiro brasileiro premiado com o Right Livelihood Award foi o ecologista e agrônomo José Lutzenberger, falecido em 2002. Ele ganhou o Nobel Alternativo em 1988 por sua luta pela preservação do meio ambiente. Três anos mais tarde, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) receberam o prêmio em conjunto. Em 2001 foi a vez do teólogo Leonardo Boff. Um dos idealizadores do Fórum Social Mundial, Chico Whitaker recebeu um Right Livelihood honorário em 2006.
Os outros três premiados de 2010 foram o nigeriano Nnimmo Basey, pelo trabalho ambientalista e de denúncia dos danos causados pela exploração de petróleo no seu país; o nepalês Shrikrishna Upadhyay e a organização Sappros pelo trabalho de combate à pobreza; além da organização Médicos para os Direitos Humanos, de Israel, pela luta para atender de forma igualitária israelenses e palestinos. A entrega do Nobel Alternativo acontece na sede do Parlamento da Suécia sempre na semana anterior à do Prêmio Nobel, marcado para 10 de dezembro.
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