Sábado, 11 de abril de 2026
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O governo brasileiro reforçou sua postura de não reconhecimento das
eleições de 29 de novembro em Honduras e fez duras críticas à política
externa dos Estados Unidos. O ministro das Relações Exteriores, Celso
Amorim e o assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco
Aurélio Garcia, verbalizaram a desaprovação do Planalto à postura dos
EUA com relação a Honduras.

Garcia disse temer que a posição norte-americana introduza na
América Latina a tese do “golpe preventivo”, conforme noticiou a
agência Estado.

“Nossa preocupação é que introduzam a tese do golpe preventivo na
América Latina”, disse, referindo-se ao que ocorreu no país
centro-americano: um golpe desferido sob o pretexto de que o atual
governante pretendia fazer algo contra as instituições democráticas.
“Para os EUA, é bom ter uma boa relação com a região”, disse, lacônico.

Segundo o assessor, essa questão é mais relevante que a decisão da
Suprema Corte de Honduras de que a destituição do presidente Manuel
Zelaya é definitiva. A palavra final da corte, para ele, é apenas um
“jogo de cartas marcadas” com o Congresso. Garcia enfatizou sua
frustração com a conduta “ideológica de certo setor da diplomacia
americana” ao lidar com a crise hondurenha. “A política externa dos EUA
pode ser acusada de qualquer coisa, “menos de ser amadora”.

O governo brasileiro defende o retorno do presidente deposto,
Manuel Zelaya, abrigado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa há mais
de dois meses. “O golpe de Estado não pode ser legitimado como forma de
mudança política. Essa é a nossa visão”, afirmou Amorim, ao participar
da Cúpula de Países Amazônicos, em Manaus.

Mais cedo, o porta-voz da Presidência da República, Marcelo
Baumbach, já havia reforçado a posição brasileira de não aceitar o novo
governo que sairá das urnas em Honduras.

Carta

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu correspondência
enviada no final de semana por Obama, segundo Amorim. Ele, no entanto,
não quis detalhar o conteúdo da carta. 

O conteúdo exato da carta enviada por Obama não foi revelado, mas segundo versões divulgadas na imprensa, nela o presidente reitera a posição norte-americana em relação ao golpe em Honduras.

O governo dos Estados Unidos defende que o reconhecimento do resultado das eleições presidenciais em Honduras pode ajudar a colocar um fim à crise política que se instalou no país desde a deposição de Zelaya, em 28 de junho.

O chanceler também revelou que passou nesta quinta-feira “mais de
uma hora” conversando por telefone com a secretária de Estado
americana, Hillary Clinton. Novamente, ele não entrou em detalhes.

“Isso que é importante, um diálogo constante sobre todos os temas.
O presidente Lula respondeu à carta enviada pelo presidente Obama e eu
conversei por mais de uma hora com a secretária de Estado.”

Brasil reafirma posição contra eleições controladas por golpistas

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