Sábado, 11 de abril de 2026
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O Brasil e os outros países em desenvolvimento não aceitarão qualquer compromisso obrigatório de redução de emissões de gases poluentes no acordo que sair da conferência da ONU sobre mudança climática (CoP15), reiterou hoje (9) o chefe da delegação brasileira em Copenhague, Luiz Alberto Figueiredo Machado.

Machado disse, em entrevista coletiva no centro de convenções Bella Center, que esse tema sequer está em discussão, respondendo às queixas da China sobre a suposta intenção dos países ricos de incluir esse aspecto no acordo.

Segundo o chefe da delegação brasileira, a única iniciativa que existe para os países em desenvolvimento em relação às emissões são as NAMAs (sigla em inglês para ações de mitigação nacionais apropriadas), que são voluntárias.

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Machado admitiu que há diferenças dentro do G77 (grupo que reúne os países pobres e em desenvolvimento e do qual o Brasil faz parte), mas negou que estas sejam grandes o suficiente para produzir uma ruptura.

“Todo grupo grande como este reúne interesses diferentes e é normal que haja divergências, mas isso não faz com que não continue unido. O G77 funcionou muito bem e é altamente democrático. Nós não estamos aqui à força”, afirmou.



Keld Navntoft/EFE


Ativistas disfarçados de “agentes da dívida climática”, da organização ActionAid, protestam em Copenhague

Após três dias de negociações em Copenhague, Machado disse ter esperanças de que os delegados completem a tarefa no fim de semana e lancem as bases para um acordo “com um alto nível de ambição”, mas admitiu que existem “preocupações sobre o resultado final”. Ele demonstrou prudência em relação à minuta dinamarquesa para o acordo, que vazou ontem e que despertou fortes críticas de países emergentes e ONGs.

“É natural que haja consultas externas, que se comentem ideias. Todos fazemos isso. Mas esperamos que saia um acordo forte e como resultado dos dois anos de negociações baseados np Mapa de Caminho de Bali”, afirmou.

O nível de ambição do acordo é o que determinará se o documento será ou não um tratado de cumprimento obrigatório, reiterou. O chefe da delegação negou que haja falta de clareza nos detalhes do financiamento das NAMAs e ressaltou que o problema é a falta de verbas. Muitos países em desenvolvimento apresentaram planos que estão paralisados à espera de dinheiro.

Como exemplo do compromisso do Brasil na luta contra a mudança climática, a delegação brasileira apresentou hoje em seu pavilhão dentro do Bella Center, o Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES. Criado em 2008, o fundo permitiu reduzir o desmatamento na Amazônia e, por enquanto, tem uma carteira de 58 projetos, dos quais cinco já foram aprovados.

Brasil não aceitará compromisso obrigatório para reduzir emissões

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