Brasil estuda formas de abrir mercado agrícola dos EUA em vez de retaliar país na OMC
Brasil estuda formas de abrir mercado agrícola dos EUA em vez de retaliar país na OMC
O setor empresarial brasileiro quer aproveitar a autorização para retaliar os Estados Unidos por conta dos subsídios dados aos produtores de algodão, dada pela OMC (Organização Mundial do Comércio), para abrir o mercado daquele país aos produtos agrícolas brasileiros.
A abertura do mercado agrícola, tema de difícil negociação multilateral na Rodada Doha, entra assim numa negociação bilateral Brasil-EUA. Foi o que o Opera Mundi apurou em evento que reuniu empresários da Câmara Americana de Comércio (Amcham), em São Paulo.
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Uma saída negociada, evitando a retaliação contra produtos e direitos de propriedade intelectual, é defendida tanto pelo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, como pelo setor empresarial brasileiro representado pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), conforme havia afirmado o presidente da instituição, Paulo Skaf, na semana passada.
“Os dois países estão se empenhando para encontrar uma saída negociada, que evite a retaliação”, insistiu o embaixador, durante a posse do Conselho da Amcham realizada hoje (5) em São Paulo, explicando que resta chegar a um acordo bilateral.
Segundo o presidente da Amcham, Gabriel Rico, o setor privado está tentando apresentar sugestões de acordos que beneficiem o Brasil, que não sejam o aumento de tributos de produtos norte-americanos. A proposta que deve ser apresentada, aproveitando a visita de membros de governo norte-americano ao Brasil na próxima semana, é de tentar favorecer o setor agrícola brasileiro.
“O que deve se obter é uma facilitação da entrada de produtos agrícolas brasileiros nos EUA ou algo em torno disso”, afirmou.
Para Rico, é “evidente que é melhor negociar, estamos buscando a construção de uma agenda positiva. O Brasil tem direito de retaliar. Entretanto, os EUA têm se mobilizado de forma concreta”.
“Se não sobrar nada, se não houver nenhuma perspectiva de negociação, é possível que a retaliação aconteça, mas está claro que o Executivo americano está evitando ter esse problema com o Brasil”, completou.
Assim como o presidente da Câmara Americana, o diretor de Assuntos Corporativos da MSD, empresa farmacêutica originária da fusão da Merck com a Schering-Plough, João Sanches, acredita que o Brasil pode se beneficiar de acordos que beneficiem o setor agrícola, prejudicado pelos subsídios norte-americanos.
“Estivemos com o ministro Miguel Jorge [Desenvolvimento] na semana passada, e estamos trabalhando para evitar isso [retaliação cruzada]. Prezamos por um bom ambiente de negócios com os Estados Unidos”.
Formas de retaliação
Além de defender acordos que beneficiem a produção agrícola brasileira, Sanches é contra a retaliação cruzada, que incidiria sobre outros produtos, de outros setores.
O diretor da MSD acredita que a retaliação restringindo a produção intelectual pode, de modo controverso, prejudicar o Brasil. “Propriedade intelectual não deve entrar na lista de produtos, pois pode passar uma mensagem ruim em relação à inovação, que é o que o Brasil está procurando para ser mais competitivo”, disse.
Sanches defende que se as retaliações beneficiarem o próprio setor agrícola, o valor em sanções não ficará abaixo daquele estipulado pela OMC, de 560 milhões de dólares em produtos e até 270 milhões de dólares em propriedade intelectual, como temem alguns empresários brasileiros.
Para propriedade intelectual, uma sanção aplicável é a quebra de patentes. Nesse caso, empresas brasileiras estariam autorizadas a fabricar produtos de empresas norte-americanas antes que o prazo estabelecido pela patente expire. A indústria farmacêutica é uma das áreas que seriam afetadas, de acordo com os especialistas.
Já Gabriel Rico disse que afetar a propriedade intelectual pode ser positivo para o Brasil a longo prazo, e mencionou como exemplo um direito de retaliação adquirido na OMC pela Comunidade Europeia contra os Estados Unidos. Na época, a Comunidade Europeia decidiu colocar incentivos para divulgação de livros europeus no mercado norte-americano. “Hoje, nos Estados Unidos as pessoas conhecem mais autores europeus”.
Hoje, Shannon garantiu que não haverá contra-retaliação norte-americana caso o Brasil opte pela retaliação. “Não faço ameaças”, afirmou.
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