Terça-feira, 5 de maio de 2026
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O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, afirmou nesta quarta-feira (4/8) que as relações bilaterais entre Brasil e Irã estão mantidas, sem alterações. “Não vamos mudar de jeito algum. Não temos razão alguma para mudar. Eles [que aprovaram as sanções] é que têm razão de mudar”, reiterou o assessor.

Garcia disse ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se ofendeu com o comentário do porta-voz do governo iraniano de que ele era desinformado e por esta razão ofereceu asilo político à mulher condenada à morte por suspeita de adultério. “Não queremos dar a este episódio um tratamento tão público que possa prejudicar a eficácia e ficar uma guerra de declarações pela imprensa”, disse.

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“Não [o presidente não ficou magoado com o governo do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad]. O presidente [Lula] falou o que tinha de falar. O presidente [Lula] fez um comentário que seria a possibilidade de esta senhora iraniana vir para cá”, disse Garcia, depois de almoço oferecido ao presidente de Camarões, Paulo Biya, no Itamaraty.

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A viúva Sakineh Mohammadi Ashtani, de 43 anos, e dois filhos, foi condenada à morte por apedrejamento no Irã sob acusação de adultério por ter mantido relações sexuais com dois homens, depois de perder o marido. Ashtani e a família negam as denúncias. A condenação motivou uma série de campanhas em favor de Ashtani.

Garcia lembrou que duas semanas antes de Lula oferecer asilo a Ashtani, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, apelou ao chanceler iraniano pelo fim da punição à viúva. “Nós estávamos preocupados com esta situação [da condenação da viúva por apedrejamento], e gostaríamos que ela fosse beneficiada com alguma medida de liberdade. Não foi simplesmente um pronunciamento do presidente, ele já havia se pronunciado nesta direção”, disse Garcia.

Brasil e Irã mantêm uma estreita relação política e econômica. Em maio, Lula esteve em Teerã. Ele mediou o acordo para transferência de urânio levemente enriquecido do Irã para a Turquia como meio de a comunidade internacional apoiar o programa nuclear iraniano. Mas a proposta foi rejeitada pela maioria dos países. No entanto, Lula é um dos defensores do direito de o Irã ter tecnologia própria na área nuclear com fins pacíficos.

Apenas o Brasil e a Turquia votaram contra as sanções ao Irã no Conselho de Segurança das Nações Unidas, em junho. Doze países apoiaram as restrições, enquanto o Líbano se absteve da votação. Atualmente o Irã sofre medidas restritivas do conselho, da União Europeia, do Canadá e dos Estados Unidos.

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Brasil e Irã mantêm relações bilaterais inalteradas, diz Garcia

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