Domingo, 10 de maio de 2026
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Nesta quarta-feira (08/02), a ministra de Relações Exteriores da França, Catherine Colonna reuniu-se com o ministro Mauro Vieira, em Brasília, rompendo um jejum de quatro anos sem encontros ministeriais entre ambos países. Para Vieira, a visita de Colonna simboliza a revitalização da parceria entre Brasil e França.

“Viramos a página dos últimos anos e colocamos as relações no nível elevado que ambas sociedades esperam e desejam”, declarou o ministro brasileiro fazendo referência às tensões provocadas durante a gestão de Jair Bolsonaro, que suspendeu reuniões com autoridades francesas e desrespeitou a primeira-dama, Brigitte Macron.

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O encontro foi visto como uma etapa preparatória para a visita do presidente Emmanuel Macron ao Brasil, prevista ainda para este ano e que deve coincidir com a realização da Cúpula da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) que reúne, além do Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela.

“O presidente está muito feliz em vir ao Brasil”, disse a ministra francesa. Colonna reiterou que a visita “poderia acontecer” durante o encontro dos países que compartilham a Floresta Amazônica.

Mais lidas

Ampliar a cooperação em áreas como ciência, tecnologia e inovação cultural é um objetivo comum entre os dois países, segundo o chanceler brasileiro.

Um dos pontos, segundo o ministro Mauro Vieria, será reforçar o programa de desenvolvimento e nacionalização de helicópteros e o programa de desenvolvimento de submarinos.

Em 2022, o comércio bilateral atingiu US$ 8,4 bilhões, com aumento de 16% em relação a 2021, segundo o Palácio do Itamaraty. Em termos de investimento, o Brasil é hoje o segundo principal destino dos investimentos franceses entre os chamados “países emergentes” e o primeiro sócio comercial do país na América Latina.

Na coletiva de imprensa com Colonna, o chanceler brasileiro também falou sobre a importância de retomar espaços de discussão entre Amapá e Guiana Francesa para garantir a proteção da fronteira de mais de 700 km.

Ministra francesa diz que país pretende realizar investimentos no Fundo Amazônia, suspenso pela gestão anterior

Palácio do Itamaraty

Chanceler Mauro Vieira recebeu visita de sua homóloga francesa Catherine Colonna em Brasília

Meio ambiente

A ministra Catherine Colonna anunciou que a França e a União Europeia (UE) estudam contribuir para o Fundo Amazônia, que havia sido suspenso pelo ex-presidente brasileiro. “A França estuda a contribuição bilateral, bem como através da União Europeia”, anunciou Colonna.

Antes de reunir-se com o ministro Vieira, Catherina Colonna também se encontrou com a ministra do Meio-Ambiente, Marina Silva.

“O Brasil quer retomar seu protagonismo nas discussões internacionais sobre o meio ambiente”, e acrescentou “reforcei o compromisso do Brasil de zerar o desmatamento ilegal até 2030”, declarou o ministro Mauro Vieira.

Na última semana, após reunir-se com Lula, o chanceler alemão Olaf Scholz comprometeu-se a enviar 200 milhões de euros para o projeto de preservação do ambiente no Brasil. O Fundo Amazônia foi criado em 2008, no segundo mandato de Lula, com doações da Alemanha e da Noruega, mas foi suspenso por Bolsonaro em 2019.

Acordo Mercosul – União Europeia

A ministra recordou que a UE espera alguns “compromissos” dos países sul-americanos com políticas ambientais para avançar com as negociações de um pacto comercial entre o bloco europeu e o Mercado Comum do Sul (Mercosul). Já o ministro Vieira disse que Brasil fará o possível para concretizar o acordo.

O presidente Lula também já havia dito que um dos seus objetivos é selar o acordo entre Mercosul e União Europeia ainda no primeiro semestre deste ano.

Ainda sobre assuntos comerciais, em entrevista à Folha de S.Paulo, Colonna disse que a França apoia a entrada do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). “O Brasil é um dos principais atores globais. O retorno do país ao cenário global é fortemente esperado”, disse.

Guerra na Ucrânia 

O Brasil voltou a demarcar sua posição de neutralidade em relação à guerra entre Rússia e Ucrânia. 

“Não será com armas que resolveremos conflitos, mas com diálogo e busca de soluções aceitáveis para ambos lados. O Brasil está pronto para contribuir com este esforço”, disse Mauro Vieira.

Em resposta, a ministra francesa disse que no conflito existe um “agressor e uma vítima” e que por isso não seria possível colocar Moscou e Kiev em pé de igualdade.

Colonna disse que a ideia de criação de um grupo de países que negocie a paz entre Rússia e Ucrânia é bem-vinda, mas disse que a solução pode ser alcançada “com o simples respeito à Carta das Nações Unidas e ao direito internacional”.

Ainda nesta quarta, a ministra francesa deve reunir-se com o presidente Lula e depois segue viagem a São Paulo para se encontrar com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), com a filósofa Djamila Ribeiro e com empresários brasileiros.