Brasil critica pressão sobre Irã e busca acordo para impedir sanções
Brasil critica pressão sobre Irã e busca acordo para impedir sanções
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta, em parceria com o governo da Turquia, um acordo para impedir que o Conselho de Segurança das Nações Unidas adote sanções contra o Irã.
A informação foi dada ontem (12/4), em Washington, pelo ministro de Relações Exterior, Celso Amorim, durante o primeiro dia da Cúpula de Segurança Nuclear, convocada pelos Estados Unidos e com a presença de representantes de 47 países.
Michael Reynolds/Efe (12/04/2010)

Obama insiste na aplicação de sanções ao Irã, enquanto Lula mantém preferência pelo diálogo
“Se houver um ciclo de endurecimento recíproco, onde um país diz que aplica sanções e o outro diz que não vai fazer nada sob ameaças ou sob pressão, e aí isso vai num crescente…. E o que nós vimos na experiência mais recente foi muito trágico. E quando houve perspectiva de conversa, como em outros casos, houve solução. Nós achamos que ainda há tempo para isso”, disse Amorim.
Leia também:
Entenda o processo de enriquecimento do urânio
Quem tem direito à soberania nuclear?, por Breno Altman
Lula: Não pode haver “países armados até os dentes e outros desarmados”
O entendimento, segundo Amorim, leva em conta as negociações para que o Irã obtenha urânio enriquecido em 20%, nível utilizado para uso do mineral em atividades de fins pacíficos. A Agência Internacional de Energia Atômica quer que, em troca, o país islâmico entregue ao mesmo tempo todo o estoque de urânio que já dispõe. O Irã, no entanto, pede um prazo e exige uma condição: primeiro quer receber a encomenda para só depois entregar a sua parte.
O acordo faria parte do esforço para reduzir a pressão dos EUA, que exige sanções para forçar o governo de Mahmud Ahmadinejad a permitir as vistorias da AIEA às instalações nucleares do país. Washington alega que o Irã mantém secretamente um programa para desenvolver armamento nuclear, e conta com o apoio de países como a Alemanha, França e o Reino Unido para impôr punições à Teerã.
Leia também:
Influência do Irã no Oriente Médio pode ser positiva, diz Amorim
Autoridades afirmam que visita de Lula servirá para intensificar parcerias
Exportações do Brasil para mundo árabe crescem 25% no primeiro trimestre
As linhas gerais da proposta foram discutidas durante um encontro na tarde dessa segunda-feira entre o presidente Lula e o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, na residência oficial do embaixador brasileiro em Washington.
Em outra frente, os norte-americanos atuam para alcançar o apoio suficiente com o objetivo de punir o governo iraniano.
Apoio chinês
Segundo a Casa Branca, o presidente da China, Hu Jintao, em reunião com o presidente Barack Obama, se mostrou favorável à adoção das sanções, caso o Irã não colabore com os emissários internacionais. A China resiste às sanções contra o Irã, e é um dos cinco países com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU.
Já o secretário de Segurança dos EUA, Robert Gates, pediu o apoio do Brasil para punir o Irã, em reunião com o ministro da Defesa, Nelson Jobim. O ministro brasileiro, no entanto, disse que a posição brasileira é cautelosa e propos uma saída “inteligente”.
“Eles [os norte-americanos] precisam analisar também o entorno estratégico do próprio Irã, onde tem a presença de países armados nuclearmente. Então precisa haver uma garantia ao Irã que eles também não vão ser atacados”, afirmou Jobim.
Acordo Brasil-EUA
Gates e Jobim firmaram um acordo de cooperação militar que prevê a colaboração em área de treiamento, transferência de tecnologia e comércio entre os dois países. Segundo Jobim, o acordo pode facilitar a venda pela Embraer de 100 aviões Super-Tucanos para a Marinha dos Estados Unidos. O negócio envolve outros concorrentes, mas, segundo o ministro da Defesa, o termo assinado hoje facilitaria as negociações da empresa brasileira com o governo norte-americano.
O presidente Lula participa nesta noite de jantar oferecido pelo presidente Barack Obama, e hoje (13/4) participa das discussões sobre como impedir a proliferação de armas nucleares e o terrorismo atômico.
Siga o Opera Mundi no Twitter
NULL
NULL
NULL























