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O Ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou nesta sexta-feira (13/8) que a política externa brasileira, nos sete anos em que esteve à frente da chancelaria, baseou-se em dois princípios: “não intervenção e não indiferença”.

O chanceler falou a uma platéia de cerca de 60 pessoas no auditório do Instituto de Estudos Avançados (IEA), da Universidade de São Paulo. Tratou de temas variados, comércio internacional, mudanças climáticas e não proliferação de armas nucleares. O evento contou com a presença de Carlos Eduardo Lins da Silva, editor da revista Política Externa, e Mário Marconini, presidente do Conselho de Relações Internacionais da Fecomércio como debatedores.

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Amorim começou sua fala relembrando o cenário da política externa brasileira no início da sua atuação no ministério em 2003: havia forte tensão na Venezuela por conta do plebiscito para decidir a continuidade ou não do governo Chávez e a segunda guerra do Iraque havia começado. Naquele momento, havia um menor protagonismo do Brasil no cenário internacional. 

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O país também tinha de lidar com as negociações, que por fim não deram resultado prático, para a implantação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Lula, em seu primeiro ano de mandato, dizia que o Mercosul e a integração sul-americana seriam prioridades de governo. Amorim relembrou que discutiu com Lula, na época, o deslocamento de negociadores para o Mercosul, pois havia quatro vezes mais pessoas trabalhando nos temas relativos à Alca”.

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O acordo da Alca, contou ele, esteve bem mais próximo do que se imagina. Segundo Amorim, a principal dificuldade não foi negociar com os Estados Unidos, mas, sim, m obter consenso entre os membros. A Venezuela era a principal opositora. “Gastei mais tempo conversando com os negociadores venezuelanos para não impedir um consenso do que com os embaixadores americanos”, revelou.

A demora do Brasil em apresentar uma proposta concreta para a Alca aconteceu porque queríamos saber quais as vantagens reais que obteríamos dos outros países, disse o chanceler. “Percebi um fortíssimo desequilíbrio: o Brasil cedia em áreas como propriedade intelectual, serviços e outras áreas sensíveis e havia pouca contrapartida”. O Brasil decidiu, então, não apresentar uma oferta, pois avaliou que a Alca apenas replicaria o modelo do Nafta (tratado de livre comércio entre EUA, Canadá e México).

Então o Brasil apostou na integração continental e na União de Nações Sul-Americanas (Unasul) como uma maneira de aumentar suas vendas internacionais. Outra aposta foi num “multilateralismo” comercial: segundo Amorim, as exportações brasileiras para os países árabes cresceram quatro vezes. O comércio com a África também apresentou expansão: “Se a África fosse um país, seria o quarto maior parceiro comercial do Brasil”, comentou o chanceler.

 

Segurança Internacional

Para o ministro, “a área mais resistente à mudanças nas relações internacionais é a de guerra e segurança internacional”. De acordo com Amorim, “há relutância das grandes potências em aceitar outros atores nas negociações”. Ele diz que “a dificuldade em ampliar o número de assentos no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas é prova dessa resistência”.

“O mundo hoje é bastante diferente daquele que existia ao final da Segunda Guerra Mundial”, resume Amorim. Não é concebível que a estrutura do Conselho de Segurança se mantenha inalterada, completou.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim


Essa fala do ministro introduziu a explicação sobre as negociações de Brasil e Turquia para ajudar a resolução da crise nuclear iraniana. Amorim diz que era “impensável há coisa de cinco ou 10 anos atrás que duas potências regionais intermediassem uma negociação complexa como esta”. Segundo ele, é prova de que o mundo é regido por uma combinação de forças multipolar.

Para Amorim, o acordo com o Irã tinha todos os pontos que haviam sido pedidos por países como Estados Unidos, França e pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). “É mais fácil que um país como o Irã ouça outras nações com mais proximidade do que uma potência global”, completou.

Amorim cita o exemplo do Zimbábue: “Não há como negar que as condições lá estejam melhores do que há dois anos. É muito mais fácil que eles ouçam ao Brasil ou aos países da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC, na sigla em inglês) do que França ou Inglaterra, sua antiga colonizadora”.

Clima e comércio exterior

Em resposta a Mario Marconini, da Fecomércio, Amorim disse que “serão necessário esforços” políticos para melhorar as negociações na Organização Mundial do Comércio, “pois o sistema multilateral nem sempre funciona de modo adequado”. O ministro criticou, ainda, a postura dos governos George W. Bush e Barack Obama diante das pressões do Congresso norte-americano: “Cabe aos presidentes liderar esse processo no âmbito interno”.

Segundo Amorim, houve pouco avanço nas negociações climáticas da CoP-15, acontecida em dezembro passado em Copenhague. “Há necessidade de maior liderança e compromisso por parte dos EUA e da União Européia”, disse ele.

De acordo com o chanceler, “os países devem oferecer as maiores metas possíveis para a redução dos gases de efeito-estufa”. Para Amorim, melhorar as metas do clima é melhorar a sociedade e melhorar a competitividade das nações. “Daqui em diante, quem não tiver preocupação com esses temas, terá dificuldade nas negociações de comércio exterior. Produtos que não agridam o ambiente levarão vantagem”, finalizou.

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Brasil alia "não intervenção" e "não indiferença" na política externa, diz Celso Amorim na USP

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