Ao menos 48 mil eleitores anularam voto para prefeito em SP ao digitar '13', do PT
Votantes registram errado no lugar de 50, que é o número do PSOL, partido de Guilherme Boulos; candidato superaria Ricardo Nunes
Ao menos 48,1 mil eleitores, aparentemente, não perceberam que o candidato apoiado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) em São Paulo, Guilherme Boulos, era do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Se pouco mais desses votos no “13” tivessem ido para o número “50”, do psolista, este teria ficado à frente de Ricardo Nunes, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), na eleição municipal mais disputada da história da cidade. A informação é do jornal O Globo.
O levantamento foi feito pelo periódico com base no Registro Digital de Voto das urnas da cidade, disponibilizado pelo Tribunal Superior Eleitoral.
“Houve uma confusão de parte de eleitores por conta do votos em vereador. A população votou 13 no vereador e repetiu a legenda no de prefeito. Agora, sem vereador, deve ficar mais fácil”, comentou o petista Rui Falcão, coordenador da campanha de Boulos.
Por outro lado, outros 18 mil eleitores votaram “22”, do Partido Liberal (PL) do ex-presidente Jair Bolsonaro, cujos eleitores foram disputados tanto por Nunes como por Pablo Marçal, do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB).
Este último, aliás, associou tanto Boulos como a candidata Tabata Amaral, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), ao número 13 na reta final da campanha. “A intenção dele, além de confundir o eleitor, era me chamar de petista”, afirmou Amaral, que ganhou da Justiça Eleitoral o direito a publicar um vídeo de resposta.

Roberto Parizotti / Fotos Públicas
Presidente Lula acompanhou carreata de Guilherme Boulos em São Paulo
As zonas eleitorais da cidade onde maior percentual de eleitores votaram equivocadamente no “13” foram São Mateus, Jardim Helena e na Cidade Tiradentes, na Zona Leste, onde Boulos foi o candidato mais votado. Na Cidade Dutra, periferia da Zona Sul, onde a esquerda tradicionalmente tem muita força, o psolista teria vencido se os votos no 13 tivessem sido dele. Já o distrito de Pinheiros, na zona central, onde Boulos venceu com ampla margem, foi o que teve o menor número de votos no 13.
As cinco Zonas Eleitorais com mais votos percentualmente no 13 para prefeito:
375 (São Mateus) – 1,3%
397 (Jd. Helena) – 1,29%
404 (Cid. Tiradentes) – 1,24%
371 (Cid. Dutra) – 1,17%
352 (Itaim Paulista) – 1,14%
Marçal diz que não apoiará Nunes e prevê vitória de Boulos
Marçal, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno, com 28,17% dos votos válidos, disse que não apoiará Nunes no segundo turno contra o deputado federal Boulos, e previu a vitória deste último.
As declarações, feitas em entrevista coletiva na noite de terça-feira (08/10), surpreenderam quem esperava o alinhamento de Marçal com Nunes, o que, segundo ele, só ocorreria se o prefeito, governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o ex-presidente Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o pastor Silas Malafaia viessem a público e pedissem desculpas a ele pelas ofensas durante o primeiro turno da eleição.
“Eu, não indo para lado nenhum, estou liberando meu eleitorado, 45% dos meus votos o Lula, com humildade, vai tomar de volta”, projetou Marçal. “Tenho certeza de que ele [Boulos] vence. Ele sabe sinalizar com o povo, o Ricardo não sabe. Boulos e Lula têm a língua do povo, os outros [estão] só brigando”, completou o influenciador.
O empresário reiterou sua intenção de se manter na vida política pelos próximos 12 anos e admitiu que pretende ser candidato à Presidência da República ou ao governo de São Paulo em 2026. Ele disse não temer eventual inelegibilidade pelas nove ações eleitorais a que responde.
No primeiro turno da disputa em São Paulo, Nunes recebeu 29,48% dos votos válidos; Boulos ficou em segundo, com 29,07%. Já Marçal, obteve 28,14%.























