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O parlamento da Bielorrússia marcou para o dia 19 de dezembro as próximas eleições presidenciais do país, que podem decidir o destino do último governante comunista do Leste Europeu e serem cruciais para a geopolítica da antiga esfera de influência soviética.

Em decisão tomada em sessão extraordinária nesta terça-feira (14/9), a câmara dos deputados do país divulgou a data da votação, que será a quarta desde a independência do país da URSS, em 1991. A presidente da comissão eleitoral, Lidia Yermoshina, disse à imprensa que o país irá convidar observadores internacionais para acompanhar o pleito, como de costume.

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Pela primeira vez em mais de 15 anos, o presidente bielorrusso, Aliaksandar Lukachenka (ou, em russo, Aleksandr Lukashenko), pode chegar às urnas sem o apoio do vizinho maior, a Rússia. As relações entre Minsk e Moscou têm estremecido desde 2008, graças a disputas sobre o preço dos royalties pagos pelos russos para usar os oleodutos que cruzam o território bielorrusso. E as palavras do primeiro-ministro russo, Vladímir Putin, sobre o aliado histórico já não são tão doces quanto antes.

Nesta terça-feira, Lukachenka – no poder desde 1994 – afirmou em um evento público que está preocupado com as relações com a Rússia, principal parceiro comercial e político de seu país. A Bielorrússia assume este ano a presidência rotativa da OTSC (Organização do Tratado de Segurança Coletiva), aliança estimulada por Moscou com antigas repúblicas soviéticas para frear a influência da OTAN.

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“Certamente estamos preocupados com nossas relações com nossos parceiros-chave na OTSC, a Rússia. Mas, apesar do fato de que a liderança russa vem nos cutucando constantemente em diferentes partes do corpo, não nos tornamos tão amargos em relação a eles como muitos podem pensar. Estamos avaliando os acontecimentos de maneira racional”, disse o presidente bielorrusso em reunião com o secretário-geral da OSCE (Organização para Segurança e Cooperação na Europa, que representa os interesses ocidentais).

Farpas

Em junho, a Rússia suspendeu parcialmente o fornecimento de gás à Bielorrússia por três dias durante a discussão da dívida de Minsk pelo fornecimento, forçando o vizinho menor a pagá-la às pressas.

“Acho que esses mal-entendidos devem ser dissipados mais cedo ou mais tarde. Quero que entendam que fomos e continuamos sendo um chão firme para os russos, um baluarte, um posto avançado, como se diz na Rússia”, contemporizou o bielorrusso, citado pela agência local Belpan.

Há quatro anos, Lukachenka foi reeleito em uma votação contestada por observadores e entidades ocidentais, como a própria OSCE. Na época, parte dos analistas internacionais esperava que o bielorrusso sofresse o mesmo destino de outros presidentes de repúblicas ex-soviéticas, como Geórgia, Ucrânia e Quirguistão, derrubados por revoltas populares pós-eleitorais – as chamadas “revoluções coloridas” da primeira metade da década.

No entanto, apesar de protestos violentos nas ruas da capital, o presidente se manteve no poder para o terceiro mandato consecutivo, o que foi atribuído tanto à sofisticada repressão do governo de Minsk quanto à falta de estrutura de apoio à oposição, como uma classe empresarial forte, já que a economia do país é fortemente estatizada.

Campanha

Na próxima eleição, os temas que devem dominar a campanha são a inflação e denúncias crescentes de abuso de poder, que vêm sendo divulgadas mesmo com o controle legalizado exercido sobre a mídia.

Um dos fatores que geram dividendos para os cofres públicos e alimentam a economia nacional é a energia, justamente dependente dos royalties pagos pela Rússia. A Bielorrússia está no caminho entre a Rússia e a Europa Ocidental, e por seu território passam dutos que abastecem a Alemanha com petróleo e gás.

“Abrir confronto com o Kremlin pode tornar mais difícil para Lukashenko ganhar votos neste momento”, disse o analista político independente Aleksandr Klaskovsky, citado pela agência de notícias norte-americana Associated Press.

No evento de hoje, porém, o presidente deixou claro que espera a continuidade da aliança histórica para enfrentar o julgamento dos eleitores no fim do ano.

“Hoje, precisamos criar, e não destruir. Sempre estivemos juntos, e sempre estaremos”, finalizou Lukachenka.

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Bielorrússia marca eleições presidenciais de olho em relações abaladas com Moscou

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