Segunda-feira, 18 de maio de 2026
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A pressão popular continua provocando vertiginosas mudanças na Tunísia, onde o governo anunciou nesta quinta-feira (20/01) a restituição ao Estado de todos os bens da Reunião Constitucional Democrática (RCD), o partido que controlava o poder no regime do presidente deposto Zine el Abidine Ben Ali.

O primeiro Conselho de Ministros do novo governo de transição decidiu apreender “todos os bens móveis e imóveis” do RCD, cujas estruturas em todo o país se confundiram com as públicas durante os 23 anos de mandato do ex-presidente.

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Embora os ministros do anterior regime continuem nos postos principais do Executivo de transição, eles se desvincularam nesta quinta do partido, que ficou sem liderança e teve que anunciar a dissolução de seu principal órgão de direção.

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E tudo isso aconteceu depois que milhares de pessoas voltaram às ruas para exigir que o partido que apoiava Ben Ali seja extinto.

Após conseguir romper o forte cordão policial que os continha no centro da capital, cerca de 5 mil pessoas, entre elas centenas de mulheres, foram até a sede principal do RCD, um luxuoso arranha-céus de mais de 30 andares que se tornou o símbolo do poder do antigo regime.

Quando os manifestantes chegaram à frente do edifício, os militares e os policiais que o protegiam, assustada diante da massa enfurecida, atiraram para o alto em um primeiro momento.

Mas, após alguns momentos de tensão, os policiais se retiraram, e os militares tomaram o controle da situação, limitando-se a formar um cordão de soldados ao redor da sede para conter a multidão.

Muitos deles abraçaram e beijaram aos soldados, enquanto gritavam palavras de ordem contra o RCD e entoavam o hino nacional.

O Exército tunisiano, ao contrário da Polícia, é muito querido e respeitado no país, e a ele é atribuído um papel decisivo na série de acontecimentos que acabaram com a saída de Ben Ali do poder.

Os participantes do protesto, entre os quais havia estudantes, sindicalistas, professores, aposentados e trabalhadores de diversos setores, não se cansavam de pedir aos soldados que os permitissem arrancar o nome do partido, inscrito em letras douradas na fachada do edifício.

Até que os militares permitiram o acesso ao interior de um pequeno grupo de manifestantes, que desmontaram primeiro o cartaz luminoso no alto do prédio e depois as grandes letras douradas da fachada que formavam o nome em árabe do RCD.

Quando caiu ao solo a primeira palavra, aconteceu uma tremenda explosão de alegria entre os manifestantes, que explodiram em aplausos, se abraçaram e beijaram os soldados.

Alguns não puderam conter a emoção e começaram a chorar. Era o símbolo dos 23 anos de ditadura que caía com as letras.

Fatma, uma camponesa idosa, se ajoelhou entre lágrimas às portas do edifício e começou a agradecer a Alá.

“O povo acabou com o RCD, que roubou durante décadas nossa liberdade e nossas riquezas”, dizia Amina, um estudante de Direito da Universidade de Túnis.

Bastou a queda do nome do odiado partido para que os manifestantes se dessem por satisfeitos e abandonassem a sede após serem ameaçados pelos soldados. Contudo, os protestos continuaram pelo centro da cidade até que o Governo anunciou à tarde a apreensão de todos os bens do RCD.

O Executivo também adotou um projeto de lei de anistia geral, que incluirá os islamitas presos do partido ilegal Enahda e todos os exilados, apesar de ainda precisar de aprovação no Parlamento.

Além disso, ficou decidido que na próxima semana serão retomadas as aulas nas escolas e nas universidades, fechadas desde o último dia 10.

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Bens do partido de presidente deposto são restituídos ao Estado tunisiano

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