Segunda-feira, 11 de maio de 2026
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Um vazamento controlado ao invés de uma enchente descontrolada: essa é a estratégia das autoridades húngaras para evitar que uma nova fuga de lama tóxica gere os mesmos efeitos catastróficos da ocorrida na segunda-feira, quando sete pessoas morreram.

Após vários dias de incerteza, o governo húngaro começou hoje a falar claramente sobre a situação do reservatório de acúmulo de resíduos tóxicos de Ajka, após dar por, praticamente, certo que os muros não irão resistir.

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“O que esperamos, de acordo com as estimativas dos analistas, é que esses muros danificados desmoronem”, indicou hoje à imprensa Zoltan Illes, ministro de Meio Ambiente. Ele disse que não é possível saber quando o desabamento vai ocorrer nos muros norte e oeste, mas ambos apresentam fissuras e inúmeras fendas menores.

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Amanhã espera-se que esteja concluído o dique de contenção que está sendo erguido rapidamente no local. Com 600 metros de comprimento, 25 de largura e cinco de altura, o muro será composto de 40 mil toneladas de pedras e terra, e espera-se que seja suficiente para conter e desviar uma segunda enchente de lama em direção as terras contaminadas.

O governo insiste que a obra é só uma medida de precaução já que, pelas palavras de Illes, “não chegaria a conter uma hipotética segunda onda (de lama), que se movimentaria mais lentamente porque o material está mais espesso e seco”.

O responsável pelo Meio Ambiente referiu-se aos 2,5 milhões de lama tóxica que ainda restam no reservatório danificado que são mais densos, por ter perdido a maior parte do líquido no vazamento de segunda-feira. “As pessoas não correm nenhum risco em absoluto”, garantiu Illes.

Nova tragédia

Apesar disso, o responsável pelo Meio Ambiente reconhece o “temor” diante de um grande perigo que existe: a ruptura de um segundo reservatório, localizada junto à danificada. As autoridades acreditam que há o risco de colapso do reservatório número dez comprometa a estabilidade do número nove, em cujo interior estão armazenados 50 milhões de metros cúbicos de líquidos e resíduos gerados na fabricação de alumínio.

Para reduzir o risco, as autoridades estão bombeando água a partir do reservatório nove para outros depósitos, buscando assim reduzir a pressão sobre as paredes.

No povoado de Devecser, a polícia chegou a pedir aos moradores no sábado que ficassem prontos para uma evacuação de urgência. Kolontár chegou a ser evacuada, mas alguns moradores já retornaram para suas casas.

Culpados

Neste domingo, o governo insistiu em colocar a responsabilidade do desastre à empresa proprietária do reservatório, a metalúrgica húngara MAL. “A empresa não construiu muros adicionais, não desenvolveu atividades corretamente e tampouco cumpriu as normas e regulamentações”, acusou Illes.

A ONG WWF/Adena denunciou com fotografias feitas em junho os vazamentos no reservatório. A oposição socialista pediu a renúncia de Illes ao considerar que com sua gestão da crise não fez mais do que gerar pânico na população.

Por sua vez, a companhia, que em um primeiro momento negou qualquer responsabilidade, pediu hoje oficialmente desculpas e garantiu que compensará pelos prejuízos causados.

Autoridades húngaras preparam vazamento controlado para evitar nova catástrofe

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