Quarta-feira, 8 de abril de 2026
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O canadense Clay Jones, 34 anos, comprou um carro novo no mês passado. No final da tarde de segunda-feira, entretanto, ele abria o cadeado de  sua bicicleta em frente a um prédio comercial de Toronto antes de iniciar o seu trajeto trabalho-casa. “É mais fácil, não preciso pagar estacionamento, e ainda é mais saudável”, enumerou, ao ser perguntado sobre o motivo de sua opção pela pedalada.
Jones não é o único canadense que prefere deixar o carro na garagem para cumprir com suas obrigações cotidianas. Dados do último censo, realizado em 2006, apontam que 1,3% da população usam exclusivamente a bicicleta como meio de locomoção para ir de casa para o trabalho e vice-versa.
Outra pesquisa do departamento de estatísticas canadense, esta publicada em setembro, demonstra ainda que distância média percorrida pelos carros vem caindo no Canadá. Este fato, também ligado ao aumento do uso da bicicleta.
Segundo o levantamento, no primeiro trimestre de 2009 os canadenses usaram 2,7% menos o carro do que no mesmo trimestre do ano passado. Em 2008, a média também foi menor que a de 2007.
Facilidades
Parte da mudança de hábito dos canadenses pode ser creditada a diferentes iniciativas municipais. As maiores cidades do país têm projetos ambiciosos de incentivo ao uso da bicicleta como meio de transporte.
Em Toronto, por exemplo, barras de ferro para o estacionamento de bicicletas estão presentes na maioria das esquinas – e quase sempre ocupadas. Ciclistas são bem-vindos em toda rede de transporte público em qualquer dia e horário, além de contarem com mais de 400 quilômetros de espaço reservado em ruas e avenidas.
Já em Montreal, o segundo município mais populoso do Canadá, mais de uma centena de postos para aluguel de bicicletas foram instalados como parte do plano de reurbanização municipal. Lá, faixas exclusivas para ciclistas também podem ser encontradas nas principais vias urbanas.
Vancouver, cidade que abriga um dos maiores percentuais de ciclistas no país, possui desde 1988 um plano de governo voltado exclusivamente a melhorias no tráfego de bicicletas. Lá, segundo a prefeitura, o número de deslocamentos diários feitos com bicicleta triplicou de 1994 a 2004, chegando a 60 mil.
Acidentes
As melhorias, no entanto, ainda não surtiram efeito esperado no que diz respeito à segurança dos ciclistas. Segundo o Ministério dos Transportes do Canadá, o número de ciclistas mortos em acidentes de trânsito subiu de 45 para 61 entre 2003 e 2007 – mais de 33% de crescimento.
“É perigoso, não posso negar. Tem gente que morre pedalando”, confirma Kevin Barnhorst, 26 anos, entregador de encomendas em Toronto que usa sua bicicleta como instrumento de trabalho há pelo menos um ano.
Para ele, a falta de infra-estrutura e o desrespeito dos motoristas acabam pondo em risco a vida de quem opta pela bicicleta.
O aumento de ciclistas na rua, contudo, o deixa mais otimista. “Se todo motorista também for ciclista de vez em quando, com certeza ele vai respeitar mais quem esta sobre uma bicicleta”, prevê.

Automóvel perde cada vez mais lugar para bicicleta nas ruas do Canadá

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