Assessor econômico de Angela Merkel vira presidente do Banco Central alemão
Assessor econômico de Angela Merkel vira presidente do Banco Central alemão
Uma semana após o anuncio da renúncia de Axel Weber, atual presidente do Bundesbank, o banco central alemão, a chanceler Angela Merkel, anunciou nesta quarta-feira (16/02) sua substituição, a partir de 1º de maio, por Jens Weidmann, até agora seu assessor pessoal econômico.
A decisão de Weber, um ano antes do fim do mandato, pegou de surpresa o gabinete de Merkel. Ela perdeu ao mesmo tempo o chefe da política monetária de seu país em um momento crucial, assim como o melhor candidato para o Banco Central Europeu (BCE). O atual presidente, o francês Jean-Claude Trichet, deixará o posto em outubro.
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Aos 42 anos, Weidmann será o presidente mais novo nos 54 anos de história do Buba, apelido dado ao banco pelos alemães, e também o mais jovem membro do conselho de governo do Banco Central Europeu (BCE). Discreto, conhecido por sua defesa veemente da estabilidade do euro e da inflação baixa, ele foi encarregado pela chanceler da negociações dentro do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países ricos e os principais emergentes), assim como da elaboração do pacote de resgate bancário. Com esta designação, Angela Merkel perde seu principal assessor, mas assegura a presença de um aliado na direção do Buba.
Vizinho francês
Apesar de ter dedicado os últimos anos a ajudar a chanceler em temas de política industrial e financeira, Weidmann é um conhecido do círculo dos bancos centrais. Entre 2003 e 2006, ele foi diretor do departamento política monetária do Bundesbank, depois de um tempo no Fundo Monetário Internacional. “Ele apenas foi emprestado pela Buba ao governo federal”, resume Axel Weber, que foi seu professor na universidade de Bonn.
A nomeação deveria também ser acolhida de maneira positiva em Paris. Weidmann, que estudou também na universidade de Aix-en-Provence, no sul do país, conhece bem a cultura econômica do vizinho francês. Esta sintonia é percebida como uma necessidade, já que a Alemanha aceitou a direção do grupo de trabalho encarregado da reforma do sistema monetário internacional, desejada pela França, que exerce este ano a presidência.
Fé perdida
A nomeação de Weidmann não resolve, porém, a disputa em torno da presidência do BCE. Com a saída de Weber, que era considerado o candidato mais forte, as chances de Merkel de assegurar para o cargo algum nome alemão ficaram reduzidas. O desafio do governo alemão, se não conseguir emplacar um candidato nacional, é convencer a população da importância de salvar o euro.
Muitos alemães confessam ter perdido a fé na moeda única depois de terem arcado com a maior parte dos resgates destinados à Grécia e Irlanda, e eventualmente de outras economias mais fracas em um futuro próximo. Segundo uma pesquisa recente do instituto YouGov Plc, a metade a população trocaria o euro pelo antigo marco alemão.
Entre os nomes que circulam, estão os presidentes dos bancos centrais da Itália, Mario Draghi, do Luxemburgo, Yves Mersch, e da Finlândia, Erkki Liikanen. O alemão Klaus Regling, chefe do fundo de resgate financeiro europeu, também foi cogitado. No entanto, ele carece de experiência em política monetária.
Em clima de crise, entregar o poder sobre a política monetária de toda a zona do euro a algum dos países menores poderia levar a França e Alemanha, primeiras economias da região, a temer uma diminuição de sua influência.
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