Segunda-feira, 4 de maio de 2026
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O assassinato do eletricista brasileiro Jean Charles de Menezes, de 27 anos, completa nessa quinta-feira (22/7) cinco anos. Morto com oito tiros por agentes da brigada antiterrorista da Scotland Yard, Jean Charles foi confundido com um terrorista, poucos dias após uma série de atentados atingir o sistema de transportes de Londres. As investigações foram concluídas sem que nenhum dos envolvidos fosse punido.

Efe



Silva Armani, prima de Jean Charles, presta homenagem na estação de Stockwell, Londres

Familiares, amigos e membros da Campanha “Justice 4 Jean” prestaram uma homenagem ao brasileiro. A prima de Jean, Patrícia Armani, expressou o sentimento da família ao destacar que “hoje, depois de cinco anos, a gente fica com a dor da perda, com a saudade. A nossa posição é de que ficou a saudade e a falta que ele faz, mas também o sentimento de que não foi feita a justiça que realmente precisava ser feita”. Vivian Meneses, outra prima, ressaltou que “a família continua esperando justiça e punição dos policias responsáveis pela morte dele”.

A investigação pública sobre o assassinato de Jean teve início no dia 22 de setembro de 2008. Foram ouvidas quase 70 testemunhas, 40 delas policiais. Esse procedimento jurídico – específico da Inglaterra e do País de Gales – tem como objetivo determinar as causas de uma morte em circunstâncias violentas ou não explicadas.

Imagens do filme “Jean Charles”, de Henrique Goldman:

A policia britânica chegou a reconhecer que estava errada, porém não divulgou a  identidade dos policiais envolvidos. O então primeiro-ministro Tony Blair lamentou o que aconteceu, mas disse que era preciso compreender que “a polícia estava trabalhando em circunstâncias complexas”. Em fevereiro de 2009, a Promotoria britânica informou que nenhum agente seria processado pelo assassinato. O júri concluiu não ter certeza sobre as circunstâncias da morte de Jean Charles.

O caso foi encerrado em novembro de 2009, quando a família de Jean Charles aceitou uma compensação financeira de 269,1 mil reais. Segundo o jornal Daily Telegraph, Ian Blair recebeu 1,1 milhão de reais em indenização quando deixou o comando da Scotland Yard após receber críticas pela morte do brasileiro.

No dia 7 de janeiro de 2010, quando Jean Charles completaria 32 anos, foi inaugurado um memorial permanente em sua homenagem na estação de Stockwell.  O monumento foi um pedido da família “para que Jean não seja esquecido”.

Caso



O assassinato do brasileiro aconteceu duas semanas depois que diversos ataques realizados por terroristas suicidas mataram 52 pessoas e deixaram mais de 770 feridas na capital do Reino Unido, em 7 de julho de 2005.

No dia 21 do mesmo mês novas bombas foram programadas por terroristas, mas falharam. Na onda de repercussões dos ataques e na busca pelos responsáveis, a polícia britânica baleou e matou o brasileiro Jean Charles, confundido com um dos suspeitos e que não tinha relação alguma com os ataques.

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Assassinato de Jean Charles completa cinco anos sem punição‎ dos envolvidos

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