Às vésperas de conversações de paz, rabino em Israel prega extermínio de palestinos
Às vésperas de conversações de paz, rabino em Israel prega extermínio de palestinos
Faltando dias para a retomada das negociações de paz entre Israel e a Autoridade Nacional Palestina, o rabino israelense Ovadia Yosef fez um sermão em que chamou o presidente palestino Mahmoud Abbas de “perverso” e defendeu que os palestinos “sumam da face da terra”.
Ao pregar na sinagoga de Har-Nof, em Jerusalém, na noite de sábado (28/8), Yosef, de 89 anos, pediu que “Deus jogue uma praga contra esses ismaelitas e palestinos, odiadores de Israel” e sobre “Abu Mazen [como Abbas é conhecido] para que eles sumam do nossos mundo”.
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Os comentários do rabino, que é líder espiritual do partido extremista judaico Shas (membro da coalizão governista), foram mal recebidos tanto pelos palestinos quanto pelos israelenses, e provocaram condenação até no governo dos Estados Unidos, que vão sediar as conversações de paz esta semana.
Segundo o jornal libanês Daily Star, o chefe palestino das negociações, Saeb Erakat, chamou os comentários de “incitação ao genocídio” e pediu que Israel “faça mais pela paz e pare de espalhar o ódio”.
“O líder espiritual do Shas está literalmente incitando um genocío contra os palestinos, e parece haver pouca reação do governo israelense”, disse Erekat em nota. “Ele está incentivando particularmente o assassinato do presidente Abbas, que em poucos dias estará sentado cara a cara com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. É assim que o governo israelense prepara seu público para um acordo de paz?”.
Já o gabinete do primeiro-ministro de Israel afirmou que o sermão do rabino “não refletem as visões de Netanyahu, nem a posição do governo israelense”, mas não chegou a condenar as declarações.
“Os planos de Israel para participar das negociações de paz partem de um desejo de avançar em direção a um acordo de paz com os palestinos que acabe com o conflito e garanta a paz, a segurança e relações de boa vizinhança entre os dois povos”, diz a nota.
Intolerância
Em Washington, segundo a agência de notícias francesa AFP, o Departamento de Estado considerou o sermão de Yosef como “profundamente ofensivo” e feita num momento inconveniente para a paz.
“Lamentamos e condenamos as declarações inflamads do rabino Ovadia Yosef. Esses comentários não são apenas profundamente ofensivos, mas incitações como essa prejudicam a causa da paz”, disse o porta-voz do departamento, Philip Crowley.
Ovadia Yosef nasceu em Bagdá e é conhecido por fazer condenações duras não só a árabes – referindo-se a eles como “víboras” e “formigas” – mas também a judeus não-ortodoxos, homossexuais e políticos progressistas. Ele condenou a retirada unilateral da Faixa de Gaza, determinada por Ariel Sharon entre 2005 e 2006.
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