Domingo, 17 de maio de 2026
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O Sudão aguarda com expectativa e tranquilidade o início da consulta popular que pode dividir o território do país. De acordo com o embaixador brasileiro no país, Antonio Carlos do Nascimento Pedro, as ruas da capital Cartum não indicam que uma tão temida revolta popular possa acontecer nos próximos dias.

“As instituições estão funcionando. Não há movimento na rua que denuncie ou prenuncie violência ou instabilidade política”, afirma o diplomata brasileiro. “Não há nada que, concretamente, indique uma situação de insegurança. Há, sim, uma ansiedade natural pelo processo.”

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A consulta popular, marcada para 9 de janeiro, é aguardada desde 2005, quando foi assinado o acordo de paz que pôs fim à guerra civil que tomava conta do país havia 23 anos e deixou mais de 1,5 milhão de mortos. De um lado estava o Norte, de população muçulmana, onde fica a capital Cartum; do outro, o Sul, majoritariamente cristão, liderado a partir da cidade de Juba. Além da religião, o petróleo fazia com que o Sul lutasse pela independência. Analistas internacionais indicavam que – caso o governo central resistisse à realização do processo ou colocasse em dúvida a implementação dele, no caso de vitória da separação – os conflitos não tardariam a voltar.

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A tensão atingiu pontos altos durante as negociações que definiram as regras do recenseamento eleitoral e a tentativa – deixada para mais adiante – de delimitação clara das fronteiras das duas regiões. Houve movimento e instalação de tropas dos dois lados. Mas, de acordo com o embaixador Antonio Pedro, o quadro é outro na capital do país.

“Não vejo nenhuma situação de conturbação social ou qualquer excepcionalidade”, afirma ele. “Vejo, sim, um país caminhando para uma consulta popular ampla e de extrema relevância”, diz o diplomata, que está no Sudão desde julho de 2009.

Reprodução/Wikipedia



A área em azul votará sobre separação; verde é Darfur

Dos cerca de 40 milhões de sudaneses, 4 milhões registraram-se para votar. São sulistas que vivem em todo o país e também em algumas cidades do exterior. O processo dura uma semana. Para ser válida, a decisão precisa ser tomada por 60% dos eleitores inscritos. Terminada a apuração, no dia 15, começa a verificação dos votos em cédulas de papel. Contando com o prazo para recursos e homologação, os resultados oficiais devem ser divulgados apenas em meados do mês que vem. Mas deve ser de conhecimento público, extraoficialmente, bem antes disso.

Cooperação

Apesar da tensão natural, o embaixador brasileiro em Cartum acredita que, caso haja mesmo a separação, os dois lados precisam rapidamente definir bases pacíficas para a convivência. E o mesmo petróleo – que chegou a ser motivo de conflito – será também fator para esse equilíbrio.

“Grande parte das reservas [do petróleo já descoberto] está no território que seria do país do Sul”, lembra Antonio Pedro. “Mas a estrutura de refino e escoamento está instalada no que seria um futuro país do Norte. Poderia ser desenvolvido algo parecido no país do Sul? Sim, mas leva tempo. Até lá, eles precisam achar a melhor forma de conviver.”

O Brasil abriu uma embaixada no Sudão em 2006. Ela apoia o comércio entre os dois países – que é pequeno, mas crescente – bem como projetos de cooperação técnica, além da implementação de ações de empresas brasileiras, especialmente no campo da agricultura.





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Às vésperas de consulta popular, Sudão vive momento de expectativa e tranquilidade

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