Argentina: por apenas sete votos, oposição não consegue barrar veto de Milei no aumento da aposentadoria
Proposta de lei previa uma atualização mensal do benefício baseada em dados do Índice de Preços ao Consumidor, medido pelo Estado; manifestantes protestaram no Congresso argentino
A Câmara dos Deputados argentina confirmou, nesta quarta-feira (11/09), a permanência do veto presidencial de 22 de agosto contra a proposta de aumento na aposentadoria do país.
Para que o veto de Javier Milei fosse derrubado, seriam necessários 2/3 dos votos. No entanto, foram 153 votos contra o veto e 87 a favor. Ou seja, a oposição conseguiu apenas a maioria simples, e, por apenas sete votos, o veto não foi derrubado.
A proposta da lei previa uma atualização mensal da aposentadoria baseada em dados do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), medido pelo Estado, além de incorporar uma quantia extra de 8,1% para compensar a perda dos primeiros quatro meses do mandato de Milei.
O reajuste pretendia conter a inflação que acabou com as aposentadorias, com um acumulado entre dezembro e março de quase 70%. Atualmente, a aposentadoria mínima é de 225.454 pesos (cerca de R$ 1.287), enquanto a cesta básica total para que um adulto não seja pobre é de 291.417 pesos (aproximadamente R$ 1.666).
Após a votação, Milei celebrou a permanência do veto e declarou que os 87 deputados que votaram a favor da sua decisão colocaram um freio na oposição, chamada por ele de “degenerados fiscais”. “O déficit zero é inegociável”, declarou o presidente. Esta decisão reforça, mais uma vez, uma fracassada postura ultraliberal de seu governo como plano para conter a inflação latejante e profunda crise econômica e social do país.
Também no começo desta tarde, aposentados, agremiações da Confederação Geral do Trabalho (CGT), da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras (CTA) e movimentos sociais se reuniram em frente ao Congresso argentino, em protesto ao veto e a favor da reforma da aposentadoria.
Os manifestantes foram novamente repelidos pela polícia com gás lacrimogêneo e balas de borracha, em um clima de tensão. O canal de notícias TN informou 12 feridos e 3 detidos, números que ainda não foram confirmados por fontes oficiais.
“Quando você olhar nos olhos de cada aposentado, observe bem o nome de cada deputado”, dizia um dos muitos cartazes que os manifestantes carregavam em frente ao Congresso durante a manifestação.

Reprodução/Cámara de Diputados de la Nación
A Câmara dos Deputados argentina confirmou a permanência do veto presidencial de 22 de agosto contra a proposta de aumento na aposentadoria do país
Inflação subiu mais uma vez
Segundo o índice de preços ao consumidor do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) do país, os preços subiram 4,2% em agosto de 2024 em relação ao mês de julho.
Com este número, o acumulado dos oito primeiros meses do ano, e do governo Milei, é de 94,8%. Já a inflação anual acumulada foi de 236,7%. A Argentina vive uma recessão econômica, com 7,7% de desemprego.
Os setores com maior aumento no mês passado foram Habitação, água, eletricidade e outros combustíveis, com (7%), seguida por Educação (6,6%) e Transporte (5,1%).
Os dados divulgados se mostraram como um obstáculo para o ministro da Economia argentino, Luis Caputo, cujo objetivo é chegar a uma deflação até o fim deste ano.
BC argentino corre contra o tempo
Para cumprir o acordo de acúmulo de reservas internacionais feito com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Central da Argentina está agora correndo contra o tempo. Isto porque eles precisam arrecadar US$ 1,5 bilhões (R$ 84 bi) até o dia 30 de setembro para alcançar os US$ 8,7 bi prometidos.
Até a última sexta-feira (6), o valor acumulado era de US$ 7,2 bi, segundo Vladimir Werning, vice-presidente do BC argentino. Para o fim do ano, o combinado é que a entidade tenha US$ 9,7 bi acumulados em reservas internacionais.























