Sábado, 28 de março de 2026
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Perda de empregos e queda no poder de empregabilidade das empresas, especialmente as pequenas e médias, em níveis nunca antes vistos na história da Argentina. Essa é uma das mudanças que ocorreram no país vizinho desde que o presidente Javier Milei, líder da extrema direita argentina, chegou a Casa Rosada e colocou em marcha seu projeto econômico ultraliberal.

Segundo um estudo publicado nesta segunda-feira (15/07) pelo Centro de Economia e Política da Argentina (CEPA), com estatísticas entregues pela Superintendência de Riscos do Trabalho, entre novembro de 2023 e abril de 2024, se registrou a perda de 170.695 postos de trabalho.

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O estudo mostra que o número de trabalhadores cadastrados pela Superintendência ao final de novembro era de 9.857.173. Javier Milei assumiu o poder na Argentina em 10 de dezembro. Passados ​​cinco meses, no final de abril, esse número caiu para 9.686.478, o que representa uma queda de 1,73%.

Nesse mesmo período, segundo o mesmo estudo, o número de empregadores que declararam contratar trabalhadores diminuiu de 512.357 para 504.497, o que significa que 7.860 empresas deixaram de contratar – a maioria delas pequenas e médias empresas. Uma queda de 1,53%.

O relatório do CEPA afirma que “se for analisada a redução dos casos patronais, observa-se que os principais afetados nestes primeiros cinco meses de gestão de Milei são as empresas com até 500 trabalhadores: 99,5% do total de casos (7.820 empresas a menos). Entretanto, o número de empregadores com mais de 500 trabalhadores que despediram trabalhadores no mesmo período foi de apenas 0,5% (40 casos).”

Centro de Economia e Política da Argentina (CEPA)
Argentina registro perda de 170.695 postos de trabalho entre o final de novembro de 2023 e o final de abril de 2024

Os dados sobre a queda do emprego registado por dimensão das empresas apresentam um cenário diferente. “Observa-se que a demissão de trabalhadores esteve concentrada nas empresas de maior dimensão: 74% das perdas de emprego (126.244 trabalhadores) se concentraram em empresas com mais de 500 trabalhadores”, diz o estudo.

“Por outro lado, a redução de pessoal nas empresas com menos de 500 trabalhadores foi sensivelmente menor: os seus empregos diminuíram em 44.451 casos, explicando 26% do total”, acrescentam os especialistas do CEPA, indicando que, em termos percentuais, as empresas com mais de 500 trabalhadores reduziram o seu quadro de pessoal em 2,64% (de 4.782.973 para 4.656.729), enquanto as empresas com até 500 trabalhadores diminuíram o seu quadro de pessoal em 0,88% (de 5.074 para 5.029.749).

Estes dados revelam um cenário de maior crise econômica e social provocado pelo governo de extrema direita na Argentina, com base no seu severo programa de ajuste fiscal, que gerou, além deste nível de perda de empregos, também um aumento na inflação, que registou 4% em junho e projeta 140% anual para o final de 2024, segundo previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Também houve uma forte desvalorização do peso argentino provocada intencionalmente pelo governo Milei, que anunciou publicamente suas intenções de extinguir a moeda local argentina e dolarizar a economia do país.