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O reconhecimento à existência do Estado palestino segundo as fronteiras de 1967, oficializado pelo Brasil na sexta-feira (3/12) e pela Argentina nesta segunda-feira (6/12), aumenta a expectativa de que novas adesões sejam anunciadas pelos outros países da América Latina.

Para o argentino Fabián Calle, especialista em relações internacionais, o reconhecimento da Palestina como Estado pelos dois países “com maior peso específico da América do Sul” marcou uma tendência para outros governos da região. Segundo ele, a decisão Argentina, anunciada apenas três dias depois da brasileira, não parece ser uma “reação apressada” à postura assumida pelo Itamaraty.

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“Tudo indica que este assunto vem sendo tratado desde antes”, afirmou Calle ao Opera Mundi. “Sem dúvidas, houve diálogos prévios em níveis políticos e diplomáticos e, provavelmente, nem a própria diplomacia dos EUA tenha sido pega de surpresa com esta decisão”.

O especialista confirma que os anúncios recentes sinalizam uma tomada de decisão em bloco. No entanto, para ele, a ação em conjunto não deve ser encarada como um gesto de “confronto” com Washington. Ele lembra que a iniciativa argentina foi comunicada oficialmente pelo chanceler do país, Héctor Timerman, de família judaica, e que tem “estreitos laços pessoais e políticos com a comunidade judaica de Nova York”. Segundo ele, os governos de Néstor Kirchner e da atual presidente, Cristina, foram “sumamente cuidadosos e amigáveis” com as comunidades judaicas da Argentina e dos EUA, assim como com Israel.

“Pode-se dizer que foram até mais cuidadosos que os próprios EUA”, comentou.

Comunidade

A Argentina abriga a maior comunidade de judeus da América Latina, com cerca de 250 mil pessoas.

“Será interessante ver as reações das comunidades judaicas da Argentina e do Brasil, assim como a postura do Departamento de Estado norte-americano e das potências europeias. Até agora, a reação está longe de ser abertamente crítica e alterada”, disse.

Durante o anúncio argentino do reconhecimento da Palestina como “estado livre e independente”, Timerman afirmou que a decisão é compartilhada com o Brasil e o Uruguai, membros do Mercosul.

Uruguaios

No mês passado, o governo uruguaio já havia anunciado, que reconhecerá a Palestina como Estado no primeiro semestre de 2011 e que iniciará as relações diplomáticas com o país. O comunicado foi feito durante o 16º Congresso da Comunidade Americano-Árabe, em Montevidéu, pelo presidente José Mujica, em novembro. Na ocasião, ele afirmou que o representante diplomático uruguaio em Dubai atuará como embaixador para os dois países.

“Esta decisão já foi tomada, mas o reconhecimento da Palestina significa instrumentar as relações diplomáticas”, explicou.

Na segunda-feira, o vice-ministro de Relações Exteriores uruguaio, Roberto Conde, confirmou à agência de notícias francesa AFP que seu país está trabalhando para abrir uma representação diplomática na Palestina, “certamente em Ramalá”. Segundo ele, a decisão já foi comunicada à ANP (Autoridade Nacional Palestina).

“O Uruguai certamente seguirá o mesmo caminho argentino em 2011”, afirmou Conde. “Esta decisão é coerente com o programa de governo” da Frente Ampla, coalizão de centro-esquerda que governa o país.

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Outros países

O Paraguai, por sua vez, embora ainda não reconheça a Palestina como Estado, já mantém relações na prática tem apostado em uma agenda bilateral mais intensa com a Palestina. Durante a visita do presidente da ANP, Mahmoud Abbas, à América do Sul, seu par paraguaio, Fernando Lugo, destacou a importância da nomeação do embaixador do país no Egito, Ausberto Rodríguez, como representante paraguaio também para a Palestina, em outubro deste ano. Na ocasião, tanto o governo paraguaio quanto o palestino confirmaram os planos de criação de um escritório da ANP em Assunção.

O Chile, no entanto, ainda não mostra sinais de um possível reconhecimento do estado Palestino. “Ainda não temos posições sobre este assunto, o reconhecimento do Brasil e da Argentina é muito recente e ainda não temos nenhum tipo de informação em particular”, afirmou ao Opera Mundi Jorge Ossa, recém-nomeado como representante oficial do Chile em Ramalá – sede administrativa da ANP. O Ministério de Relações Exteriores do país também negou ter dados oficiais sobre o assunto.





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Argentina e Uruguai confirmam tendência da América do Sul para reconhecer Estado palestino

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