Segunda-feira, 27 de abril de 2026
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O Parlamento grego aprovou nesta quinta-feira (6/5), por maioria absoluta, um pacote de austeridade para ajustar as finanças publicas nos próximos três anos e acabar com a crise econômica do país. Mesmo assim, investidores de todo o mundo seguem inseguros.

A medida dá condições para que a Grécia tenha acesso ao programa de auxílio de 140 bilhões de euros financiados por outros 15 países europeus e pelo FMI (Fundo Monetário Internacional).

Entre elas as ações do plano econômico, que busca cortes de 30 bilhões , estão previstas reduções salariais e de aposentadorias, estagnação de contratações e aumento de impostos, o que gerou manifestações de centenas no centro de Atenas e greve de banqueiros.

Diante do cenário, nao foi apenas a Grécia que foi afetada. Em decorrência do temor de que a crise grega se espalhe e prejudique o ambiente de investimentos, as principais bolsas internacionais fecharam em queda.

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Em Nova York, o índice Dow Jones Industrial após despencar mais de 9,12% durante o pregão, fechou a -3,21%, variação mais acentuada desde o final de 2008, quando o banco norte-americano Lehman Brothers quebrou.

Na Europa, as baixas também foram gerais. Em Madri, a queda foi de 93%, a quinta maior do ano, enquanto em Milão foi de 4,26%, Londres de 1,52%, Frankfurt de 0,84% e Paris de 2,2%. Em Lisboa, a queda foi de 2,6%.

Em São Paulo, o Ibovespa acompanhou o cenário externo e fechou em queda de 2,31% após cair 6,38% durante o pregão.

“O mercado criou uma situação volátil que afetou a todos em escala mundial. Os investidores internacionais ficaram receosos não apenas quanto ao contágio da crise grega para outros países europeus, mas também com a incapacidade do BCE [Banco Central Europeu] e do FMI [Fundo Monetário Internacional] em conter futuras situações como esta”, explica o economista Alex Agostini, da Austin Rating, empresa especializada em risco de agências financeiras.

Para ele, a latência com que o BCE e o FMI lidaram com a situação na Grécia, que é um país pequeno e com pouca expressividade na zona do euro, criou um alarmismo mundial e levantou desconfiança sobre a força das entidades em possíveis crises com países maiores, como Espanha, Portugal e Irlanda, que atualmente se encontram em situações econômicas críticas.

“O temor nesse sentido tem efeito global e diante desta situação me parece ter fundamento, já que o risco de contágio de outros países europeus não é pequeno, o que também acaba afetando o Brasil, já que o país é dependente de commodities e a Europa é um dos maiores importadores dos produtos brasileiros”, justifica Agostini.

Apesar disso, o economista não acredita na necessidade de uma grande preocupação ou ações governamentais no mercado financeiro do Brasil.

“É complicado falar o quanto o Brasil deve se preocupar com tudo isso, mas acho difícil que a bolsa tenha um rombo como no final de 2008, já que agora temos uma condição econômica interna bastante favorável, capaz até  de segurar o cambio e a bolsa”, completa.

Já os mercados externos, devem se blindar ao máximo o que, segundo Agostini,  inevitavelmente causará queda e oscilações nas bolsas em razão da diminuição de aplicações por parte dos investidores.

Além disso, o economista explica que para um país sair da crise é imprescindível que se estimule o crescimento econômico. “Não basta apenas se blindar, os países que correm o mesmo risco de afundar como a Grécia devem criar uma situação de equilíbrio entre a dívida e a produção para sair da zona de risco. Só assim é possível entrar em uma fase de inversão e posteriormente superar a crise”, conclui.

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Aprovação de plano de austeridade na Grécia não diminui preocupação de investidores internacionais

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