Domingo, 10 de maio de 2026
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A morte de um afro-americano após sua prisão pela polícia, cujo vídeo será divulgado nesta sexta-feira (27/01), reacende temores de tensões raciais nos Estados Unidos. A mãe de Tyre Nichols disse que ele “foi espancado até a morte” e a cabeça do filho “parecia uma melancia” devido ao inchaço provocado pelas agressões.

Cinco policiais foram acusados e presos na quinta-feira (26/01) pela morte de Nichols, de 29 anos, ocorrida no início de janeiro. Os policiais de Memphis (Tennessee), todos negros, foram indiciados por homicídio culposo, agressão e lesões, além de sequestro, anunciou o promotor Steve Mulroy em entrevista coletiva. O presidente Joe Biden pediu em comunicado uma “investigação rápida, completa e transparente” sobre o caso.

“Eles o reduziram a uma polpa”, desabafou a mãe de Nichols que, com sua dor, agitou os Estados Unidos ao relatar a morte do filho. Atrás de um grande megafone, RowVaughn Wells alertou na noite de quinta-feira à população desta grande cidade do Tennessee, no sul dos Estados Unidos, que o vídeo do drama, que deve ser publicado nesta sexta-feira à noite, será “horrível”.

Ela não viu as imagens, ao contrário do marido. Mas Wells viu com os próprios olhos o abuso sofrido pelo filho ao visitá-lo no hospital, poucas horas depois do espancamento. “Ele tinha hematomas por toda parte, sua cabeça estava inchada como uma melancia, seu pescoço era uma ferida aberta por estar tão inchado”, descreveu ela, em uma entrevista comovente transmitida na sexta-feira pela CNN. “Quando vi isso, entendi que ele estava morto”.

Apesar da tristeza, a mãe de Nichols disse espera que a cidade não arda em chamas devido à morte. “Quando o vídeo sair, vai ser horrível, mas quero que vocês se manifestem pacificamente”, disse ela na noite de quinta-feira à multidão que prestava homenagem a seu filho. “Não quero que vocês queimem as cidades e devastem as ruas, porque não é isso que meu filho gostaria”, insistiu.

Apesar da tristeza, a mãe de Nichols disse espera que a cidade não arda em chamas devido à morte

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Melissa Moon/Twitter

Wells, que viu com os próprios olhos o abuso sofrido pelo filho ao visitá-lo no hospital, em protesto pacífico

Policiais eram afroamericanos 

Tyre Nichols foi hospitalizado no dia 7 de janeiro após um “confronto” com a polícia, que queria prendê-lo por uma simples infração de trânsito. Ele morreu três dias depois.

Nesta quinta-feira, cinco agentes, também afro-americanos, foram acusados de assassinato e presos. Quatro deles foram posteriormente libertados sob fiança.

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“Onde foi parar a humanidade deles [policiais]?”, questionou a mãe de Nichols. “Eles bateram no meu filho como uma piñata”, continuou, referindo-se ao objeto decorado que as crianças explodem para coletar doces e brinquedos em festas de aniversário, uma tradição importada do México.

As circunstâncias da tragédia ainda não foram esclarecidas, mas RowVaughn Wells vem repetindo há vários dias que seu “filho era bom”. “Ele gostava de andar de skate”, “saía todas as noites para ver o pôr do sol e tirar fotos”, “tinha uma tatuagem com o meu nome no braço”, indicou ela, em entrevista coletiva no início da semana. “Isso lhe parece alguém que desrespeita a polícia?”, indagou.