Terça-feira, 7 de abril de 2026
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O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, aceitou hoje (20) a realização de um segundo turno das eleições em seu país, depois que foram denunciadas fraudes no pleito que lhe deu vitória absoluta no dia 20 de agosto. A próxima votação deve ocorrer dia 7 de novembro, quando Karzai irá enfrentar o ex-ministro do Exterior afegão, Abdullah Abdullah.
O anúncio foi feito pelo próprio presidente, durante entrevista coletiva, antes mesmo que a Comissão Eleitoral, formada por membros da ONU (Organização das Nações Unidas) e observadores afegãos, anunciasse sua decisão.
Pouco depois, o órgão divulgou dados que baixaram para 49,67% os votos conquistados por Karzai. A marca oficial, divulgada antes do resultado das investigações sobre as denúncias de fraude, era de 54,6%.
O presidente aproveitou a chance para pedir aos afegãos que votem, já que, na primeira votação, o índice oficial de participação foi de 38,7%. Karzai ainda pediu à comunidade internacional para que garanta a segurança dos eleitores envolvidos, como foi prometido anteriormente. “O povo precisa votar livre de ameaças para que possam construir o país com o poder do voto”, disse Karzai.
O chefe da missão da ONU encarregada de investigar as eleições no país, Kai Eide, estava presente na coletiva e pediu que os dois adversários façam uma campanha digna nas próximas duas semanas e ainda ressaltou o desejo “de um resultado justo no final deste longo processo eleitoral”.
O porta-voz de Abdullah, Fazil Sangcharaki, anunciou que o ex-ministro aceita a decisão tomada pela Comissão Eleitoral e se prepara para o segundo turno.
Apoio de EUA e UE
O alto representante para Política Externa e Segurança Comum da União Europeia, Javier Solana, declarou sua satisfação com a decisão de Karzai. Em nota, Solana pediu a todas as partes envolvidas no processo que façam “tudo o que puderem” para garantir que o resultado desse segundo turno seja “confiável e legítimo”.
“Estas eleições representaram um grande desafio”, disse o chefe da diplomacia da UE. Para ele, o segundo turno vai promover o estabelecimento de um “governo eficaz” e “comprometido em atender às necessidades do país”.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, declarou ter conversado com Karzai por telefone para parabenizá-lo pela decisão. Obama disse ainda que, com a aceitação do segundo turno, Karzai e Abdullah “mostraram que o que têm em mente é o interesse do povo afegão”.
“Vimos o desejo dos candidatos de respeitar a Constituição e agora contamos com um caminho para completar o processo eleitoral”, declarou o presidente norte-americano, na sala oval da Casa Branca.
O governo norte-americano havia advertido que não enviaria mais tropas ao país até que ficasse clara a legitimidade do Governo.
Histórico
Na última segunda-feira (19), a comissão encarregada de investigar as denúncias de irregularidades nas últimas eleições ordenou a anulação dos votos de centenas de seções eleitorais do país e a recontagem das cédulas emitidas em quase 3.500 delas, de um total de 26 mil.
O órgão mandou invalidar cédulas de 210 seções, nas quais assegurou ter encontrado “provas claras e convincentes de fraude”, além da invalidação de votos de quase todas as 646 seções que a comissão eleitoral afegã tinha deixado “em quarentena” por suspeita de fraude e que não tinham sido considerados no anúncio dos resultados provisórios.
No dia 8 de setembro, a comissão de queixas havia ordenado uma nova apuração nas seções eleitorais suspeitas, número posteriormente fixado em 3.498. Já a missão de observadores da União Europeia calculou no dia 16 de setembro que havia 1,5 milhão de votos “suspeitos”, dos quais 1,1 milhão eram para Karzai e 300 mil para Abdullah – ou seja, cerca de 25% do total. Apesar disso, os resultados foram divulgados.
Durante todo o tempo, Karzai defendeu o trabalho da comissão eleitoral e disse que a fraude foi “limitada”, e não “generalizada”, como denunciara Kai Eide no último dia 11.

Após fraude em eleições, presidente afegão aceita segundo turno

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