Após chacina e atentados, México exonera quase 10% de sua PF
Após chacina e atentados, México exonera quase 10% de sua PF
A Polícia Federal do México anunciou nesta segunda-feira (30/8) o fim de um processo de depuração de 9,2% de seu elenco, o maior desde que o presidente Felipe Calderón chegou ao poder. Com as exonerações, a corporação fica com 31,3 mil agentes ativos frente aos 34,5 mil com os quais contava antes.
A exoneração dos 3,2 mil agentes é a primeira fase de um processo que pode reduzir mais ainda o pessoal da PF mexicana. Outros 1.020 policiais não conseguiram passar nos “exames de controle de confiança” e também estão prestes a serem expulsos. Além deles, há 465 “elementos consignados perante o Conselho Federal de Desenvolvimento Policial” que também podem ter sua carreira encerrada mais cedo, disse o delegado-geral da Polícia Federal, Facundo Rosas.
Leia mais:
Procuradoria do México prende homem acusado de participar de chacina em Tamaulipas
Prefeito é morto em onda de violência no México após chacina
Novo atentado a bomba em Tamaulipas deixa dois feridos
Neste último grupo estão quatro dos comandantes policiais de Ciudad Juárez, a cidade mais afetada pela guerra entre traficantes de drogas. Eles foram acusados de corrupção por seus subordinados e substituídos no dia 7 de agosto, assim como os 250 agentes que se insubordinaram contra eles.
Desde o dia 18 de maio, quando o novo regulamento da PF entrou em vigor, começou um “processo permanente” de depuração que utiliza novos instrumentos jurídicos contidos na Lei da Polícia Federal e na Lei Geral do Sistema de Segurança Pública. Os policiais cortados estão em “todas as áreas” da polícia e ficam automaticamente impedidos de fazer parte de outras corporações federais, estaduais ou municipais.
Rosas disse que as exonerações fazem parte de um trabalho que vai permitir “revisar” o pessoal, seus protocolos e suas formas de trabalho a fim de transformar a corporação em uma instituição modelo. A PF mexicana ressalta estar atenta à possibilidade de que alguns deles possam se envolver em alguma atividade ilícita e teme que eles façam mau uso de seus conhecimentos como policiais.
As punições estão dentro do sistema “Plataforma México”, que pretende servir como um primeiro filtro e teoricamente impedir as contratações de agentes, além de compartilhar informações do governo federal sobre a criminalidade com os 32 estados do país.
Fora de controle
Em entrevista à agência de notícias espanhola Efe, Edna Jaime, diretora-geral do México Evalúa – um centro de pesquisa especializado em medir a eficácia e a qualidade da gestão governamental através da observação constante dos resultados das políticas públicas – considerou a medida positiva uma prova de que a profissionalização dos corpos de polícia no país está sendo levada a sério.
No entanto, defendeu que o expurgo acontece em um momento em que o governo de Calderón “está em uma situação extremamente delicada porque o tema da violência está fora de controle em algumas regiões, e sua intervenção em Ciudad Juárez não está dando resultados”.
Segundo Jaime, por enquanto “não há nenhum indicador” que permita afirmar que a estratégia de combate frontal do crime organizado lançada pelo governante em dezembro de 2006 “está dando resultados”, nem em assuntos como sequestros, extorsões e homicídios, nem na incidência do crime em geral.
Siga o Opera Mundi no Twitter
NULL
NULL
NULL























