Apesar de sanções, Irã inaugura sua primeira central nuclear
Apesar de sanções, Irã inaugura sua primeira central nuclear
Após uma longa espera de 35 anos, e apesar das sanções internacionais aprovadas para punir seu programa nuclear, o Irã inaugurou neste sábado (21/8) sua primeira central atômica, construída por engenheiros russos perto do porto de Bushehr, às margens do Golfo Pérsico.
Técnicos russos e iranianos começaram a carregar o reator da central com 165 barras de combustível. O diretor da Organização da Energia Atômica do Irã, Ali Akbar Salehi, e o chefe da Rosatom, Serguei Kirienko, assistiram à cerimônia oficial de inauguração da planta, que conta com a aprovação da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica).
Em entrevista, Salehi declarou que este é um dia “histórico” e “inesquecível” para o Irã, e agradeceu à Rússia por sua cooperação na construção da usina e na transferência de tecnologia nuclear, segundo as agências russas. “Apesar de todas as pressões e sanções impostas pelos países ocidentais, somos testemunhas do início dos trabalhos do maior símbolo das atividades nucleares pacíficas iranianas”, afirmou o iraniano durante a cerimônia.
Cooperação russa
As 82 toneladas de combustível nuclear russo foram transportadas até a câmara do reator da central. Dentro de um mês e meio, o reator atingirá 50% de sua potência, o que permitirá que passe a fornecer energia para a rede elétrica. Em seis meses, a central passará a funcionar em sua máxima potência, a 1.000 megawatts. “A partir de agora, o reator é uma usina nuclear”, concluiu Kirienko.
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A companhia alemã Siemens começou as obras em 1974, mas teve que suspender o projeto após a revolução iraniana em 1979. “O projeto de Bushehr é único e não tem análogos no mundo. As obras começaram em 1974. Os especialistas conseguiram construir uma central sobre alicerces antigos e com equipamentos utilizados pela companhia alemã há mais de 30 anos”, afirmou o chefe da Rosatom.
A corporação russa AtomStroyExport retomou a construção após assinar um contrato com o Irã em fevereiro de 1998, mas desde então o projeto sofreu inúmeros atrasos, devido às suspeitas da comunidade internacional sobre a existência de um programa nuclear militar iraniano.
No momento, o Irã está submetido a seis resoluções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas em represália à manutenção de seu programa nuclear e do enriquecimento de urânio, quatro delas acompanhadas de sanções.
O Irã alega que precisa enriquecer urânio para alimentar com combustível suas futuras centrais, e estima produzir 20.000 megawatts por dia de eletricidade de origem nuclear.
O governo francês afirmou neste sábado (21/8) que à inauguração da usina de Bushehr demonstrava que o Irã não precisava manter suas atividades de enriquecimento de urânio. O início das atividades da usina, é uma mostra que Teerã não tem nenhuma necessidade de enriquecer urânio “para se beneficiar de energia nuclear civil”, assinalou um porta-voz do Ministério de Exteriores francês.
Polêmica
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse nesta sexta-feira (20/8), que seu país está pronto para sobre um acordo de troca de combustível nuclear com os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU- EUA, Rússia, China, França e Reino Unido – e com a Alemanha sobre a troca de urânio enriquecido.
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, porém, tinha afirmado na quarta-feira (18/8) que o país não iria manter conversações com os EUA sobre seu programa nuclear se as sanções e ameaças militares não forem retiradas.
O Irã rejeitou em outubro de 2009 um acordo proposto pela AIEA, que previa a troca de urânio pouco enriquecido por material já pronto para ser usado como combustível nuclear. Meses depois, o país começou a enriquecer urânio a 20%.
A recusa elevou as tensões sobre o programa nuclear iraniano, que as potências ocidentais acusam de ter natureza clandestina e aplicações bélicas, cujo objetivo seria a aquisição de armas atômicas. Teerã nega tais alegações.
Um acordo mediado por Brasil e Turquia para troca de urânio chegou a ser assinado com o Irã em maio. O acordo, porém, foi rejeitado pelo Grupo de Viena – composto por Rússia, França, EUA e AEIA – e o Conselho de Segurança da ONU optou por impor uma quarta rodada de sanções ao país.
*Com agências
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