Terça-feira, 19 de maio de 2026
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A ex-guerrilha da FMLN (Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional) passará a presidir a Assembleia Legislativa de El Salvador, tornando-se o primeiro partido de esquerda a assumir a função no país centro-americano. Há pouco mais de um ano a FMLN elegeu seu primeiro presidente, Mauricio Funes.

A organização depôs as armas e se integrou à vida política depois dos Acordos de Paz, que puseram fim a uma violenta guerra civil em El Salvador (1980-1992). O conflito armado deixou 75 mil mortos e oito mil desaparecidos, segundo uma comissão da verdade. Os ex-combatentes participaram de eleições pela primeira vez em 1994 e, desde então, foram conquistando adeptos entre os salvadorenhos, decepcionados com as políticas promovidas pela direita.

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Embora a FMLN tenha obtido a maioria dos deputados pelo voto popular em 2001, conquistando portanto o direito de dirigir o Parlamento, numerosos acordos entre as facções de direita a impediram de assumir o posto. Depois do abalo da direita com a derrota eleitoral de 2009, que pôs fim a 20 anos de governo da Arena (Aliança Republicana Nacionalista), a esquerda assumirá a presidência do órgão legislativo.

Sigfrido Reyes, de 50 anos, antigo membro do Partido Comunista, substituirá Ciro Cruz Zepeda, do PCN (Partido de Conciliação Nacional), que tem uma tradição militar ligada à ditadura. Zepeda presidiu o Congresso em quatro mandatos seguidos desde 2001. “Para nós, foi uma luta difícil. Embora tivéssemos a legitimidade para assumir a liderança da Assembleia, a articulação das direitas sempre frustrou essas aspirações”, afirmou Reyes ao Opera Mundi.

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A FMLN poderá presidir o Congresso graças a um acordo de conveniência mantido na quarta-feira (02/02) com o partido da Gana (Grande Aliança pela Unidade Nacional), formado por dissidentes da Arena descontentes com a derrota eleitoral. “Meu objetivo é elevar a dignidade da Assembleia e dignificar a política realizada. [Meu trabalho] se concentra em manter instituições democráticas sólidas”, disse Reyes.

O dirigente veio de uma família de classe média e flertou com vários movimentos até que, em 1979, filiou-se à Juventude Comunista. Estudou na Rússia no início dos anos 1980 e voltou a El Salvador para juntar-se à guerrilha. Reyes, que teve formação militar no Vietnã e exerceu um papel modesto na guerrilha, presidirá a Assembleia Legislativa durante 15 meses.

Ramón Villalta, da ONG Iniciativa Social para a Democracia (ISD), qualificou de “histórico” o fato de a esquerda assumir pela primeira vez a presidência do Congresso, por representar uma abertura. “É um fato transcendente porque, independentemente de se tratar da FMLN, o que se evidencia é a permissão para que haja certa alternância na direção da Assembleia”, opinou Villalta.

Credibilidade

No entanto, Villalta não acredita que essa alternância no Congresso signifique uma mudança no funcionamento da instituição. Um estudo publicado recentemente pela jesuíta Universidade Centroamericana (UCA) revela que a Assembleia Legislativa e os partidos políticos são as instituições com a pior imagem perante a população salvadorenha.

Vários setores criticam os deputados, apontando problemas como os chamados “madrugones” (leis controvertidas aprovadas de madrugada), o uso excessivo das dispensas de trâmite e a aprovação de moções segundo os interesses dos partidos políticos.

Jorge Daboub, vice-presidente da conservadora ANEP (Associação Salvadorenha da Empresa Privada), diz que os deputados só atuam de acordo com seus interesses particulares. “A Assembleia Legislativa já demonstrou ser um mercado persa onde não existem os interesses do país, e sim os interesses dos partidos”, afirmou o empresário.

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Antiga guerrilha da FMLN assume pela primeira vez a Assembleia de El Salvador

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