Domingo, 10 de maio de 2026
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Dois dias depois dos distúrbios que abalaram o Equador e geraram uma polêmica sobre se a revolta de policiais foi ou não uma tentativa de golpe de Estado, analistas e cientistas políticos ouvidos pela reportagem do Opera Mundi em Quito têm opiniões divergentes. Enquanto alguns acham que a insurreição dos agentes era apenas por questões trabalhistas, outras opiniões acham que o que começou como um protesto foi manipulado pela oposição para derrubar o presidente.

O professor e analista político Simón Pachano, da Flacso, não acredita em um verdadeiro golpe.

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“Parece que o que aconteceu na quinta-feira começou como uma demanda salarial dos policiais, que foi muito mal conduzida, de maneira violenta”, disse ele ao Opera Mundi. “Mas também foi mal respondida pelo governo. Não acho que havia um tentativa de golpe de Estado, como disse o governo. Só depois é que se transformou em um fato político”.

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O analista ressalta ainda a diferença entre as mobilizações da última década no país, e a da véspera.

“Desta vez, praticamente não houve muita gente pelas ruas, inclusive nem apoiando o presidente, coisa que me surpreende sendo um presidente com quase 60% de popularidade. Foi uma atitude passiva das pessoas”, comenta.

A explicação, segundo Pachano, se deve à forte liderança de Correa, que faz com que as pessoas se desmobilizem, entregando a ele as responsabilidades.

“Quem sabe se as pessoas se acostumaram a o fato de ele solucionar tudo. Inclusive, toda a evolução do conflito girava ao redor do que o presidente estava fazendo. No final, foi resolvido como uma medida de forza estimulada por ele. Por isto, acho que nestes termos Correa pode sair fortalecido, mas as instituções democráticas equatoriana, não necessariamente”.

Estratégia política

Já o professor Milton Benítez, da Universidade Católica de Quito, diverge completamente em sua análise. Para ele, o descontentamento policial foi utilizado como uma plataforma política pelo partido Sociedade Patriótica, de Lucio Gutiérrez.

“Aproveitaram-se desta situação para tentar dar um golpe de Estado que, na minha opinião, não teria possibilidade de prosperar”, afirma.

Segundo Benítez, a política de Correa tem se afastado dos interesses dos indígenas, operários e trabalhadores em geral, movendo-se rumo à direita.

“Por isso, vimos fortes agressões verbais entre indígenas e o presidente nos últimos meses. E, por esta mesma razão, os movimentos decidiram retirar o apoio ao presidente”, explica.

Assim, Benítez acredita que os fatos de quinta-feira tenham apanhado o presidente do Equador em um momento perigoso de “falta de proteção social”.

“Os movimentos sociais não estavam dispostos a apoiar Correa, mas, obviamente, tampouco estavam apoiando Lucio Gutiérrez”, sentencia.

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Analistas no Equador divergem se revolta policial foi tentativa de golpe ou não

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