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O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, pediu hoje (27/4) ao Irã e à comunidade internacional “maior flexibilidade” na proposta de troca de combustível nuclear. Em entrevista coletiva com seu colega iraniano, Manouchehr Mottaki, o chefe da diplomacia brasileira sugeriu ao regime iraniano que dê os “primeiros passos para recuperar a confiança”.



Abedin Taherkenareh/Efe




Amorim e Mottaki preparam a próxima viagem ao Irã do presidente Lula

“Damos importância a um acordo sobre a troca de combustível nuclear, já que causaria confiança e achamos que é preciso fazê-lo”, disse Amorim. Para ele, “nisso, como em muitos outros casos, é preciso mostrar flexibilidade”. O ministro iniciou hoje uma visita de dois dias a Teerã para preparar a próxima viagem ao Irã do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prevista para 15 de maio.

Amorim insistiu sobre o direito do Irã de obter tecnologia nuclear para fins pacíficos, mas pediu ao regime iraniano que dê mais provas de confiança sobre a natureza de seu programa nuclear.

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Questionado sobre a postura do Brasil caso os Estados Unidos mantenham sua política quanto à polêmica, Amorim disse que muitas vezes surgem ambiguidades e dúvidas sobre essas atividades. “O Brasil diz que essas ambiguidades devem ser solucionadas tal como pede a Agência (Internacional da Energia Atômica).”

“Nós queremos para o Irã o mesmo que queremos para o Brasil, ou seja, que o Irã tenha a capacidade nuclear pacífica, demonstrando por sua vez não ter outro propósito em suas atividades”, afirmou.

Para o chanceler, deve haver um caminho para que a comunidade internacional esteja convencida de que não há desvios nas atividades nuclear iranianas. “O Brasil acredita que todos os gestos devem ser voltados ao fortalecimento da confiança.”

Amorim desmentiu que tenha havido pressões políticas sobre o Brasil em relação à viagem do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva ao Irã, marcada para 15 de maio. “O Brasil não é um país que se coloca de joelhos, isso nunca ocorreu no passado. O Brasil toma decisões com seu próprio pensamento”, afirmou.

Amorim disse também que não há razão para que as relações de seu país com China, Rússia, EUA ou Europa sejam prejudicadas por seu tratamento com o Irã. “Não houve nenhuma pressão e, se houve, não teve efeito”, enfatizou.

Relações bilaterais

O ministro também explicou os motivos de sua viagem ao Irã e destacou as relações bilaterais entre os dois países. “Somos membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas e tínhamos que conhecer melhor as posturas do Irã para ver como podemos solucionar o caso iraniano”, destacou.

Amorim afirmou que conhecia as posturas do Irã por reuniões com o presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, com o secretário do Conselho Superior iraniano para a Segurança Nacional, Saeed Jalili, e com seu próprio colega de pasta, Mottaki.

“O Brasil deseja participar da solução completa do caso iraniano”, disse. Segundo ele, esta tarde terá uma reunião com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, a quem entregará a mensagem do presidente Lula.

Quanto às relações bilaterais entre Teerã e Brasília, Amorim disse que ambos podem ampliar a cooperação nos âmbitos tecnológico e científico. “Podemos até fazer coisas no âmbito esportivo e no futebol. Isso pode servir como meio para a aproximação dos povos”, acrescentou.

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Amorim pede maior flexibilidade a Irã e comunidade internacional em questão nuclear

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