Segunda-feira, 27 de abril de 2026
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Diante da descrença da comunidade internacional no acordo firmado entre Irã, Turquia e Brasil na segunda-feira (17/5), o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, conversará neste sábado (22/5) com os representantes da Alemanha no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). O objetivo do chanceler brasileiro é explicar a posição do Brasil e da Turquia sobre o acordo. A iniciativa ocorre no momento em que a pressão norte-americana para aprovar a quarta rodada de sanções econômicas contra Teerã avança.

Nos últimos dias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Amorim e o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan têm feito um esforço diplomático para que os países ocidentais aceitem o acordo. Após 18 horas de conversa, o Irã aceitou enviar 1,2 mil quilos de urânio levemente enriquecido para a Turquia, onde o material será processado para atingir 20% de enriquecimento necessário à utilização em pesquisas e procedimentos médicos, mas sem potencial para uso militar.

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Amorim disse na tarde de hoje (21), no Itamaraty, acreditar que todos os países estão interessados na paz e numa solução negociada. “É claro que alguns assumiram compromissos prévios com determinado curso de ação”, disse, referindo-se aos países que, um dia depois do anúncio do acordo em Teerã, aprovaram o esboço de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU propondo novas sanções ao Irã.

O ministro acredita que no máximo até segunda-feira o governo do Irã enviará carta à Aiea (Agência Nacional de Energia Atômica), ratificando o acordo assinado com o Brasil e com a Turquia. O envio da carta é um dos detalhes que faltam para completar o compromisso iraniano em relação à negociação.

 Segundo ele, “tudo que nos foi indicado como sendo necessário para fechar o acordo com o Irã foi feito, faltando apenas o envio da carta. Tenho confiança de que ela será feita, porque seria um contrassenso chegar a um esforço de negociação como nós chegamos, aprovar uma declaração do mais alto nível das autoridades iranianas, receber a aprovação da grande maioria do Parlamento iraniano e tudo isso ser prejudicado pela falta de uma carta. Não creio que isso vá ocorrer”.

Amorim voltou a dizer que o Brasil e a Turquia assumiram sua responsabilidade ao propor a paz e uma solução negociada, que é considerada viável. “Evidentemente”, disse o ministro, “pode haver alguma circunstância que leve a outras atitudes. Mas se não houver essa circunstância, e ainda assim se persistir no curso das sanções, os países que as estão propondo assumirão suas responsabilidades”.

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Amorim explica para Alemanha acordo nuclear com Irã

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