Terça-feira, 19 de maio de 2026
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A busca de alternativas ao neoliberalismo e a luta contra a especulação da terra são alguns dos pontos que unem os movimentos sociais de América Latina e África no Fórum Social Mundial, realizado este ano em Dacar,no Senegal.

“Há muitos pontos em comum entre a América Latina e a África”, disse nesta quarta-feira (09/02) Nivaldo Santana, deputado estadual de São Paulo e vice-presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

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Entre esses pontos, Santana citou a busca de políticas alternativas ao neoliberalismo e de formas de enfrentar o fenômeno de compra de grandes extensões de terra cultiváveis por multinacionais, fundos de investimento ou até mesmo outros países. “Uma das reformas estruturais que defendemos no Brasil é a agrária”, afirmou.

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Santana ressaltou que a concentração da terra e a mecanização da produção “acabam dificultando a transformação do campo para gerar uma maior renda e mais emprego”.

Na África, o fenômeno da especulação da terra está criando uma insegurança alimentar, já que as grandes explorações se dedicam a cereais e produtos para a exportação, com o que se reduz a produção de alimentos para o mercado nacional.

Na segunda-feira (07/02), o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva afirmou no fórum que a África conseguirá sua independência em relação à segurança alimentar.

Também no Fórum Social Mundial, a organização internacional de pequenos agricultores Via Campesina alertou nesta quarta-feira sobre este processo e, em entrevista coletiva, Ibrahim Coulibaly, representante desta organização, ressaltou que países árabes, China e fundos de investimento estão por trás de muitas dessas aquisições na África.

Alguns dos principais exemplos estão em Uganda, que cedeu 2% do território ao Egito para o cultivo de cereais; em Madagascar, com 30% ou 1,3 milhão de hectares vendidos à Coreia do Sul. No Senegal, a Arábia Saudita possui 200 mil hectares, segundo Coulibaly. “Este fenômeno é extremamente grave”, disse o representante da Via Campesina, ao ressaltar que estas grandes explorações destroem o emprego e o meio de vida do pequeno camponês. “Os Estados devem ser conscientes que devem regular os mercados e proteger o seu abastecimento de alimentos”, destacou.

“Se for demonstrada confiança nos camponeses, a África não será o continente da fome”, disse Coulibaly, ao acrescentar que “é preciso dizer aos políticos que é necessário apoiar a agricultura familiar”.

Ndiakhate Fall, da Via Campesina no Senegal, expôs os prejuízos no continente das sementes e dos cultivos geneticamente modificados, sobre os quais previu que “não resolverão a crise alimentar”.

Os países africanos vivem “um despertar” ao questionar as receitas ocidentais e ao mesmo tempo buscar “um desenvolvimento endógeno e de ruptura com a dependência e o intervencionismo”, disse Carles Riera, da Agência Catalã de Cooperação ao Desenvolvimento (Ciemen).

David Minoves, da Fundação Josep Irla, se referiu ao “desencanto com as políticas de desenvolvimento dos países ocidentais, que faz com que se questionem suas receitas e se replantem as propostas”.

Já para Riera, as “emergências da sociedade civil” possibilitaram as revoltas na Tunísia e no Egito.

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América Latina e África criticam neoliberalismo no Fórum Social Mundial

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