Segunda-feira, 6 de abril de 2026
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Convidado do Fórum Político Mundial, uma iniciativa organizada pelo ex-presidente da antiga União Soviética, Mikhail Gorbachev, e realizado entre os dias 9 e 10 de outubro, em Bosco Marengo, Itália, o político e advogado José Dirceu ofereceu seu ponto de vista para o tema principal do evento: a queda do Muro de Berlim, que completa 20 anos em 9 de novembro. Em sua intervenção, Dirceu pediu um olhar mais próximo para a América do Sul, elencou avanços na política internacional e chamou a atenção para atrasos que persistem até hoje. Também lembrou que, apesar de a barreira entre as Alemanhas ter sido destruída em 1989, diversos muros ao redor do mundo permanecem.

De acordo com Dirceu, a partir de sua “visão como brasileiro, sul-americano e pessoa que pertenceu à geração de 1968”, o momento anterior à queda do muro significava para ele repressão e o fantasma das ditaduras. “Eu estava no Partido Comunista Brasileiro e tivemos de lutar, usar a força”, lembrou.

“Na perspectiva europeia, os Estados Unidos eram vistos como um símbolo de liberdade, mas para nós, representavam aqueles que alimentavam as ditaduras. No entanto, apesar de uma disputa que ainda é viva entre o Brasil e os Estados Unidos, se pode dizer que através dos anos os dois países se aproximaram”.

América do Sul

Dirceu pontuou que a América do Sul como um todo vem se transformando. “Vejam Venezuela, Equador e Bolívia. Estão a caminho de um regime democrático. A Argentina, o Chile e o Paraguai também mudaram. Formamos distintos processos, que exigem uma observação de perto para que sejam compreendidos”.

Segundo o político, os elementos-chave para a integração da América do Sul estão nas reservas naturais e na infraestrutura. “A integração passa por meio da energia e dos transportes, assim como na Europa foi o carvão”. A Unasul (União de Nações Sul-Americanas) e o Mercosul, afirmou Dirceu, “são realidades que incentivaram o livre comércio e as políticas econômicas comuns”.

“Sou um otimista quando penso na América do Sul e no mundo”, acrescentou, completando que, acredita que a nova organização da OIT (Organização Internacional do Trabalho) demonstra que houve mudanças.

EUA

Quanto à eleição do presidente norte-americano, Barack Obama, Dirceu afirmou ter sido “um sinal de mudança” e que “para que as coisas sigam mudando, depende também de nós”.

No entanto, Dirceu lembrou, “quanto tempo mais durará o embargo a Cuba? Até quando existirá a base de Guantánamo? É preciso acabar com as bases norte-americanas no Panamá e na Colômbia também”.

O político também condenou a postura “ambigua” dos Estados Unidos com relação à crise política em Honduras.

Novo mundo

Sua intervenção trouxe o pedido para uma nova visão do Ocidente. “Um novo mundo, que tenha em consideração a América Latina, a Ásia, a África, passa pela paz e contra a tendência à compra e desenvolvimento de armamentos. No Brasil, com a descoberta de reservas de petróleo, acontecerá naturalmente uma militarização, mas porque não existe uma legislação internacional que limite isso”.

No início do painel do qual Dirceu participou, “O Planeta: Quantos Mundo?”, se nomearam 24 muros que todavia existem. O político chamou a atenção, dizendo que “ainda há muitos muros no Brasil, como entre as favelas e os bairros ricos”.

Meio Ambiente

A questão ambiental não ficou de fora de seu discurso. “Neste momento, com a crise ambiental, a revolução energética é uma oportunidade de mudança profunda. O Brasil pode exportar tecnologia, seu conhecimento em biomassa e etanol. Pode se tornar um protagonista fundamental na próxima conferência sobre o clima em dezembro, em Copenhague”.

O político lembrou os avanços do governo Lula quanto às discussões das mudanças climáticas. “Lula colocou os limites essenciais, dizendo ‘não’ ao cultivo da cana-de-açúcar e ‘não’ ao desmatamento. Dois terços da emissão de CO2 vem do desmatamento. Lula impulsionou o uso de energias limpas e renováveis e a redução das emissões industriais”.

América do Sul tem papel fundamental no contexto geopolítico, diz José Dirceu

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