América do Sul tem papel fundamental no contexto geopolítico, diz José Dirceu
América do Sul tem papel fundamental no contexto geopolítico, diz José Dirceu
Convidado do Fórum Político Mundial, uma iniciativa organizada pelo ex-presidente da antiga União Soviética, Mikhail Gorbachev, e realizado entre os dias 9 e 10 de outubro, em Bosco Marengo, Itália, o político e advogado José Dirceu ofereceu seu ponto de vista para o tema principal do evento: a queda do Muro de Berlim, que completa 20 anos em 9 de novembro. Em sua intervenção, Dirceu pediu um olhar mais próximo para a América do Sul, elencou avanços na política internacional e chamou a atenção para atrasos que persistem até hoje. Também lembrou que, apesar de a barreira entre as Alemanhas ter sido destruída em 1989, diversos muros ao redor do mundo permanecem.
De acordo com Dirceu, a partir de sua “visão como brasileiro, sul-americano e pessoa que pertenceu à geração de 1968”, o momento anterior à queda do muro significava para ele repressão e o fantasma das ditaduras. “Eu estava no Partido Comunista Brasileiro e tivemos de lutar, usar a força”, lembrou.
“Na perspectiva europeia, os Estados Unidos eram vistos como um símbolo de liberdade, mas para nós, representavam aqueles que alimentavam as ditaduras. No entanto, apesar de uma disputa que ainda é viva entre o Brasil e os Estados Unidos, se pode dizer que através dos anos os dois países se aproximaram”.
América do Sul
Dirceu pontuou que a América do Sul como um todo vem se transformando. “Vejam Venezuela, Equador e Bolívia. Estão a caminho de um regime democrático. A Argentina, o Chile e o Paraguai também mudaram. Formamos distintos processos, que exigem uma observação de perto para que sejam compreendidos”.
Segundo o político, os elementos-chave para a integração da América do Sul estão nas reservas naturais e na infraestrutura. “A integração passa por meio da energia e dos transportes, assim como na Europa foi o carvão”. A Unasul (União de Nações Sul-Americanas) e o Mercosul, afirmou Dirceu, “são realidades que incentivaram o livre comércio e as políticas econômicas comuns”.
“Sou um otimista quando penso na América do Sul e no mundo”, acrescentou, completando que, acredita que a nova organização da OIT (Organização Internacional do Trabalho) demonstra que houve mudanças.
EUA
Quanto à eleição do presidente norte-americano, Barack Obama, Dirceu afirmou ter sido “um sinal de mudança” e que “para que as coisas sigam mudando, depende também de nós”.
No entanto, Dirceu lembrou, “quanto tempo mais durará o embargo a Cuba? Até quando existirá a base de Guantánamo? É preciso acabar com as bases norte-americanas no Panamá e na Colômbia também”.
O político também condenou a postura “ambigua” dos Estados Unidos com relação à crise política em Honduras.
Novo mundo
Sua intervenção trouxe o pedido para uma nova visão do Ocidente. “Um novo mundo, que tenha em consideração a América Latina, a Ásia, a África, passa pela paz e contra a tendência à compra e desenvolvimento de armamentos. No Brasil, com a descoberta de reservas de petróleo, acontecerá naturalmente uma militarização, mas porque não existe uma legislação internacional que limite isso”.
No início do painel do qual Dirceu participou, “O Planeta: Quantos Mundo?”, se nomearam 24 muros que todavia existem. O político chamou a atenção, dizendo que “ainda há muitos muros no Brasil, como entre as favelas e os bairros ricos”.
Meio Ambiente
A questão ambiental não ficou de fora de seu discurso. “Neste momento, com a crise ambiental, a revolução energética é uma oportunidade de mudança profunda. O Brasil pode exportar tecnologia, seu conhecimento em biomassa e etanol. Pode se tornar um protagonista fundamental na próxima conferência sobre o clima em dezembro, em Copenhague”.
O político lembrou os avanços do governo Lula quanto às discussões das mudanças climáticas. “Lula colocou os limites essenciais, dizendo ‘não’ ao cultivo da cana-de-açúcar e ‘não’ ao desmatamento. Dois terços da emissão de CO2 vem do desmatamento. Lula impulsionou o uso de energias limpas e renováveis e a redução das emissões industriais”.
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