Terça-feira, 7 de abril de 2026
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O ministro da Defesa, Nelson Jobim, encerrou no último domingo (25) uma
visita à Itália, onde discutiu futuras parcerias na área de
navios-patrulha que operam em alto-mar. Visitou estaleiros e bases
navais. Reuniu-se com o primeiro-ministro Silvio Berlusconi e seu
homólogo italiano para discutir o assunto.

O governo federal tem enfatizado a necessidade de
ampliar a esquadra brasileira após a descoberta de reservas de petróleo
no pré-sal. Além disso, o Brasil pretende renovar completamente a frota
de caças e adquirir 88 novos aparelhos até 2025.

Mas o país não está sozinho na América do Sul. A Colômbia acaba de assinar um acordo de ampliação da presença militar dos Estados Unidos no país. No último mês, Venezuela e
Bolívia anunciaram compras militares. O presidente boliviano,
Evo Morales, ordenou a compra de seis aviões chineses K-8, no valor de
57,8 milhões de dólares, para combate ao narcotráfico. A Venezuela
recebeu um empréstimo de 2 bilhões de dólares da Rússia para a compra
de 92 tanques e um sistema de lançamento de foguetes russos S-300.

Em Washington, a secretária de Estado Hillary Clinton disse estar
“preocupada” com as compras venezuelanas, que segundo ela podem levar a
uma “corrida armamentista” na região.

Hillary teve o apoio do presidente colombiano, Álvaro
Uribe, que discursou nesse sentido diante da Assembleia Geral da ONU, e
dos governos do Paraguai e do Uruguai, que levaram a questão ao
Parlamento do Mercosul. “A corrida já está aí, é uma realidade”, disse
o presidente uruguaio, Tabaré Vázquez.



EFE/Fernando Nahuel



Avião da Embraer durante exercício militar no Chile, na semana passada

Nos últimos anos, o investimento em defesa tem aumentado na América do Sul, alerta o Instituto Internacional de Pesquisas para a Paz de Estocolmo (Suécia). Os países da região gastaram mais de 48 bilhões de dólares em 2008. Entre 1999, e 2008, as despesas militares aumentaram em 50%, quase o dobro do aumento na década anterior. Brasil, Chile e Venezuela lideram a lista.

 Mas para o coronel da reserva Geraldo Cavagnari, membro-fundador do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp (Universidade de Campinas), falar em corrida armamentista é um exagero.

“O que está havendo é uma recuperação da antiga capacidade militar e a modernização desse equipamento, que em alguns países estava em processo de envelhecimento. Outros países, como Chile, nunca descuidaram do arsenal”, diz o estrategista militar.

Não é o que pensa Maurício Cárdenas, pesquisador do Instituto Brookings, um dos mais respeitados think tanks dos EUA. “A corrida armamentista é uma tendência nova e devemos prestar atenção porque esses recursos financeiros poderiam ser usados de maneira mais eficiente, já que há tantos problemas de pobreza e desigualdade na região”, diz ele.

Crescimento

Uma coisa é indiscutível: por trás dos investimentos militares está uma década de grande crescimento econômico. “Os militares estão indo às compras simplesmente porque a economia vai bem”, diz Adam Isacson, diretor para América Latina do Center for International Policy, nos EUA. “Houve um crescimento econômico robusto através das commodities, como o gás natural na Bolívia e o cobre no Chile”. Uma recente lei chilena obriga que 10% da receita obtida com a mineração do cobre seja destinada às Forças Armadas.

Além disso, para o venezuelano Rafael Duarte Villa, professor do Instituto de Relações Internacionais da USP, alguns governos civis pós-ditadura tinham uma certa desconfiança das forças armadas – caso do Brasil e da Argentina – o que teria colaborado nos cortes orçamentários.

Adam Isacson é incisivo ao tratar das novas aquisições militares. “Não dá para chamar de outro nome. Acho que a aceleração rápida dessas compras no último ano tem absolutamente a conotação de uma corrida armamentista”. Para ele, um dos elementos é a crescente divergência ideológica entre países sul-americanos – o caso mais notório sendo Colômbia e Venezuela.

“É claro que os congressistas dos países não pensam que os vizinhos são uma ameaça, mas os estrategistas militares e os generais que elaboram as doutrinas de segurança nacional estão sempre pensando no pior cenário possível. Estão vendo o orçamento militar dos vizinhos dobrar nos últimos anos e passam a pressionar internamente para não serem deixados para trás”, diz.

Isacson usa como exemplo o caso da Colômbia, que, para ele, é a principal força propulsora da corrida armamentista. “Veja: a Colômbia costumava ter 60 helicópteros, todos em más condições, e agora tem uma das maiores frotas do mundo. Então os estrategistas estão pensando: e se eles passarem a nos ver como inimigos, o que vamos fazer? Depois do episódio da invasão do território equatoriano, as coisas ficaram ainda piores”.

América do Sul: militares vão às compras

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