Domingo, 10 de maio de 2026
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Ameaçados pelos altos índices de violência ligada ao tráfico de drogas no México que, desde 2006 deixou 28 mil mortos, prefeiros mexicanos deixam suas cidades para morar nos Estados Unidos.

É o que aconteceu com prefeitos dos estados de Tamaulipas, Chihuahua e Nuevo León – na fronteira com os EUA -, que em alguns casos vivem de forma permanente no país vizinho e em outros dividem a rotina entre suas casas situadas em ambos os lados da fronteira, disseram fontes municipais à agência Efe.

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Apenas no estado de Tamaulipas há seis prefeitos de cidades fronteiriças com os EUA que foram forçados a mudar sua residência para o estado do Texas.

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“A vantagem para eles é que cruzam o rio Bravo e já estão em sua Prefeitura ou em sua casa”, disse à Efe uma fonte do governista PAN (Partido Ação Nacional), que explicou que a maior parte destes funcionários utilizam veículos modestos para passarem despercebidos e evitam viagens longas de carro.

Outro numeroso grupo de prefeitos de Tamaulipas decidiu abandonar suas cidades no último ano de seus mandatos para refugiar-se em outras localidades do país perante a onda de violência que se intensificou desde o princípio do ano.

Dois deles saíram de suas comunidades e governam diariamente “com o telefone na mão”, disse a fonte. “O caso dos prefeitos não é exclusivo do PAN; há também políticos do PRI (Partido Revolucionário Institucional) que precisaram tomar medidas em favor de sua segurança”.

Diante desta situação, o PAN rejeitou postular candidatos a prefeitos para alguns municípios nas últimas eleições.

Em alguns casos as ameaças são contínuas, sendo que em outros deles chegam além. Durante esta semana, um prefeito foi assassinado em Nuevo León e outro acabou gravemente ferido em Chihuahua, somando cinco vítimas fatais no último mês e meio, 10 este ano e 15 desde que Felipe Calderón chegou à Presidência mexicana, em dezembro de 2006.

Um dos estados que registram mais conflitos é Chihuahua, no qual está a cidade mais perigosa do país, Ciudad Juárez. Fontes municipais explicaram que há casos de prefeitos que optaram por viver na americana El Paso e cruzam diariamente a fronteira com Ciudad Juárez para ir trabalhar.

A situação também é preocupante no estado de Nuevo León, onde na quinta-feira passada foi assassinado a tiros Prisciliano Rodríguez, prefeito de Doctor González, um mês depois de acontecer o mesmo com o administrador de Santiago, Edelmiro Cavazos.

Um deputado estadual, que preferiu o anonimato, disse à Efe que alguns municípios do norte do México apresentam graves problemas de insegurança e estão registrando permanente emigração a outras cidades do país e dos Estados Unidos.

Na maioria das ocasiões, os cartéis do narcotráfico ameaçam as autoridades para que não interfiram nos seus negócios em troca de não planejar atentados contra funcionários municipais.

Em muitos desses casos, segundo as fontes ouvidas, as Prefeituras têm apenas entre duas e cinco patrulhas, uma média de 30 agentes e quase não contam com armas de baixo calibre para enfrentar o crime organizado.

Além dos prefeitos, altos funcionários municipais são alvos de ameaças e acabam por emigrar para o território americano.

Foi o que ocorreu com o atual secretário de Segurança Pública e com o diretor da Polícia de Tijuana, no estado de Baja California, cujas famílias tiveram que abandonar suas cidades, assim como a de alguns policiais. O Governo municipal decidiu bancar a despesa das novas residências.

A medida foi anunciada pelo prefeito de Tijuana, Jorge Ramos, com o objetivo de permitir às autoridades policiais combater o crime organizado durante a atual administração, que termina no final de novembro.

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Ameaçados pela violência, prefeitos mexicanos vão morar nos EUA

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