Amazônia exige metas de redução em Copenhague e verbas específicas para países pobres
Amazônia exige metas de redução em Copenhague e verbas específicas para países pobres
Os países que compartilham a Amazônia pediram que a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, no mês que vem em Copenhague, defina não só metas de redução das emissões de gases poluentes, mas também os fundos necessários para ajudar os países em desenvolvimento a combater o efeito estufa.
“Em Copenhague, temos de ter números que limitem as emissões [de gases poluentes] e números que limitem o aumento da temperatura”, disse o presidente da França, Nicolas Sarkozy, em entrevista coletiva após o encontro de hoje (26), em Manaus. “Temos de ter números sobre o que os países desenvolvidos estão dispostos a
oferecer para ajudar aos mais pobres a combater o efeito estufa e aos
países que têm florestas essenciais”.
A reunião de hoje foi convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sarkozy compareceu porque a Amazônia também abrange o território da Guiana Francesa.
Além de Lula e Sarkozy, também compareceram à reunião o presidente da República da Guiana, Bharrat Jagdeo, e representantes de Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Suriname e Venezuela.
Segundo Sarkozy, a definição de metas de redução de emissões deve ser completada em Copenhague com as somas que serão oferecidas aos países em desenvolvimento para atenuar as mudanças climáticas.
Para o presidente francês, tais fundos precisam traduzir-se em créditos concretos para que as nações mais pobres, principalmente as africanas, possam ter acesso à energia primária e aos créditos necessários que as permitam garantir a proteção de seus ecossistemas.
Sarkozy propôs que pelo menos 20% de todos os créditos desbloqueados nos próximos anos para a ajuda ao desenvolvimento sejam destinados à proteção de florestas e à luta contra o desmatamento.
“Se o desmatamento representa 20% das emissões de gás carbônico, temos que destinar 20% dos créditos a proteger essas florestas”, disse Sarkozy. Ele especificou que tais recursos seriam destinados a florestas importantes, como a Amazônia.
Sobre a origem dos recursos para financiar o combate ao desmatamento, Sarkozy disse que, dentre outros mecanismos debatidos com Lula, se destacam a criação de um mercado mundial de créditos de carbono, a concessão de créditos públicos para países em desenvolvimento e um fundo que pode ser alimentado com um imposto sobre transferências financeiras internacionais.
“Não se trata de um novo colonialismo. São propostas que envolvem todos, beneficiam a todos e nas quais ninguém pode sair prejudicado”, disse.
O documento final do encontro, no entanto, adverte que o combate ao aquecimento global é uma obrigação de todos, mas que os esforços dependem das responsabilidades e das possibilidades de cada país.
“A mudança climática só pode ser enfrentada de modo efetivo mediante um esforço global para que cada país contribua segundo suas plenas capacidades e em cumprimento do princípio de responsabilidades comuns, mas diferenciadas”, diz a declaração aprovada pelos participantes da reunião.
“Enfatizamos a responsabilidade histórica dos países desenvolvidos nas mudanças climáticas. Nossos países já estão sofrendo seus impactos e sua superação exige apoio internacional suficiente e previsível, por razões de equidade”, acrescenta o texto.
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