Domingo, 3 de maio de 2026
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“Hoje é dia de celebrar a democracia, homenagear [Salvador] Allende e repudiar qualquer tentativa de golpe”, declarou o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, nesta segunda-feira (11/09), que marca dos 50 anos do golpe militar que depôs o presidente chileno Salvador Allende e instaurou uma ditadura de 17 anos no país. 

Segundo a declaração do mandatário brasileiro, por meio das redes sociais, Allende foi a “primeira vítima” [da ditadura chilena], pelo “crime” de tentar fazer do Chile um país mais desenvolvido e mais justo. O presidente deposto cometeu suicídio no mesmo dia do golpe por rechaçar qualquer possibilidade de renúncia ou rendição, mas admitindo que não conseguiria mais retardar os militares.

“Sem a democracia, aquilo que nos faz seres humanos desaparece”, continuou Lula, reconhecendo que, após o sufoco pelo autoritarismo, países como Chile, Argentina e Uruguai “voltaram a respirar”.

Pela ocasião dos 50 anos do golpe, o Chile sedia eventos que rememoram a data até o final desta segunda. Lula designou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, e o ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, para representá-lo em Santiago.

Outros líderes e mandatários também manifestaram-se em apoio ao Chile, confira: 

Alberto Fernández – Argentina

Com vídeo gravado e enviado à Presidência chilena, de Gabriel Boric, o mandatário da Argentina, Alberto Fernández, disse “recordar perfeitamente daquele 11 de setembro de 1973”. 

“Tínhamos visto que para lá da cordilheira se tinha instalado um governo popular pela primeira vez, que estava revisando as lógicas conservadoras de uma sociedade que se sentia dona se seus países. Nos dias de Salvador Allende, o víamos como um exemplo de democracia que estava produzindo uma revolução”, discursou Fernández. 

Mas “tudo ficou obscuro. Não sabíamos quem era Pinochet, mas sabíamos o que poderia acontecer no Chile”, recordou o ´presidente.

Fernández classificou o dia 11 de setembro de 1973 como o inicio “da tragédia”, em que mais de mil pessoas foram prosseguidas, torturadas, assassinadas, exiladas e tiveram que deixar o Chile. “Mais de mil chilenos ainda estão desaparecidos”, recordou. 

Clamando pela proteção da democracia atualmente, Fern´ández ressaltou que “até hoje perduram vozes que recordam aquele dia como o dia da ‘recuperação’ do Chile”, acusando esses defensores de “não valorizar a democracia”. 

O presidente argentino também mencionou em seu vídeo o decreto assinado na última quinta-feira (07/09), que retirou o ditador chileno Augusto Pinochet duas das maiores honrarias concedidas pela Casa Rosada: a insígnia da Ordem de Maio do Mérito Militar e o colar da Ordem do Libertador San Martín. 

AMLO – México  

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, participou nesta segunda das comemorações chilenas em relação aos 50 anos do golpe, na Plaza de la Constitución, em Santiago.

Ao chegar na sede presidencial chilena, o Palácio de La Moneda, Obrador declarou seu “carinho e o respeito” por Salvador Allende, considerado por ele como um “apóstolo da democracia no Chile” por ter um “legado que o torna símbolo em todo o mundo”. 

“Como estamos lembrando agora, em 1973, o México, seu povo e seu governo, demonstraram com palavras e atos nosso apoio aos defensores da democracia no Chile, vítimas de um golpe de Estado que causou a morte do presidente Salvador Allende, um estadista e ser humano excepcional”, acrescentou.

No domingo (10/09), Obrador e Boric participaram da comemoração dos “50 anos de exílio chileno no México”, rememorando que “o México abriu suas portas para os perseguidos pelas ditaduras” tanto no Chile quanto em outros países da América do Sul. 

“O México, assim como o Chile, é sua Pátria”, disse o mexicano na ocasião, direcionando seu discursos aos exilados. Obrador ainda fez um discursos de esperança à transformação social: “o que foi exposto aqui pode parecer inatingível, utópico, mas é preciso manter sempre a convicção de que é possível alcançar esse objetivo de transformar essa realidade de injustiça por meios pacíficos e eleitorais”. 

Obrador finalizou afirmando que “conseguiu reduzir a pobreza e a desigualdade no México” e com essas conquistas, “faz um tributo a Allende”. 

Luis Arce – Bolívia 

O presidente da Bolívia, Luis Arce, esteve presente no Chile para as comemorações da data, afirmando por meio das redes sociais que “50 anos após o golpe de Estado no Chile, o legado de Allende perdura como um símbolo global da democracia , dignidade e lealdade ao povo”. 

“Reafirmamos que o povo boliviano está comprometido com a democracia e sempre lamentará qualquer forma de golpe de Estado”, complementou Arce. 

Gustavo Petro – Colômbia

O líder da Colômbia, Gustavo Petro, também esteve presente nas comemorações chilenas. “O golpe contra Allende foi um marco brutal que determinou uma história de guerras, ditaduras, destruição democrática praticamente em toda a América Latina. Depois do golpe contra Allende vieram 30 anos de ditaduras e insurgências, a democracia tem que ser cada vez mais profunda”, declarou Petro em entrevista a BluRadio Colombia ao final das comemorações. 

Presidentes e primeiros-ministros convidados por Gabriel Boric enviaram vídeos e compareceram no evento em memória ao golpe militar que instaurou ditadura de Augusto Pinochet

Twitter/António Costa

Há 50 anos, em 11 de setembro de 1973, militares efetuaram golpe de Estado no Chile e derrubaram o presidente Salvador Allende

Pedro Sánchez – Espanha 

“Há 50 anos a democracia chilena foi vítima de um ataque brutal que estremeceu o mundo. Aquele golpe bárbaro não apenas quebrou a ordem constitucional e derrubou um governo legítimo eleito nas urnas, mas também precedeu um tempo sombrio para os direitos humanos e liberdade no Chile”, declarou o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez. 

O líder europeu recordou com sua mensagem “aqueles que deram suas vidas pela liberdade e democracia, os que sofreram torturas, perseguição e exílio”.

António Costa – Portugal

Também a convite de Boric, o primeiro-ministro português António Costa participou das cerimônias em memória aos 50 anos do golpe. “Este é um momento para lembrar que a democracia não é definitiva e que, todos os dias, temos de lutar por ela”, declarou ele. 

Falando sobre Allende, Costa afirmou que o ex-presidente “foi e será sempre um exemplo para todos aqueles que amam a liberdade e a democracia”.

“Um dia para recordar também que, se é verdade que as democracias nunca são adquiridas, as ditaduras têm sempre um fim. Hoje assinalamos os 50 anos da imposição de uma ditadura, daqui a alguns meses celebraremos os 50 anos da Revolução dos Cravos que pôs fim à ditadura em Portugal”, completou. 

Emmanuel Macron – França 

“Este 11 de setembro de 2023 marca um momento solene em que reavivamos a memória de pessoas que foram detidas, torturadas e assassinadas por causa das suas convicções políticas. Também nos lembramos das famílias que foram desfeitas, das esperanças que foram destruídas e das vozes que foram silenciadas”, declarou o presidente da França, Emmanuel Macro,  sobre a data no Chile. 

O mandatário europeu também saudou os franceses que acolheram chilenos exilados durante a ditadura de Pinochet. 

Macron ainda apelou por “espaços onde as vozes de todos os cidadãos possam ser ouvidas e respeitadas, independentemente das suas opiniões políticas. Temos um dever especial para com todos aqueles cujos direitos estão particularmente ameaçados, especialmente mulheres e crianças”. 

Michael D. Higgins – Irlanda

Também em um vídeo enviado a convite da Presidência chilena, o presidente da Irlanda, Michael D. Higgins, considerou tais homenagens que ele e outros líderes ao redor do mundo têm prestado ao Chile neste 11 de setembro como uma oportunidade de “outorgar sua adesão à democracia e aos direitos humanos”. 

Higgins também elogiou Boric por “tomar medidas para que a democracia nunca mais seja ameaçada pela violência” e lembrou sua visita ao Chile como observador do plebiscito de 1988 no país, que ordenou o fim da ditadura e a volta da democracia.

Ulf Kristersson – Suécia

O primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson, classificou o golpe de Estado no Chile como uma “enorme tragédia, em que famílias foram destruídas”. 

“Muitos cidadãos suecos têm raízes no Chile, e o aniversário de 50 anos também vai ser comemorado na Suécia”, informou o chefe de governo.

“O golpe significou em enorme sofrimento, mas também serve como um lembrete da importância da democracia e tolerância, valores que Suécia e Chile compartilham”, finalizou.