Sábado, 9 de maio de 2026
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A Casa Branca receberá nesta quarta-feira (29/03) a visita do presidente argentino Alberto Fernández. A pauta do encontro com o anfitrião Joe Biden terá como principal assunto o apoio dos Estados Unidos a uma possível flexibilização da dívida do país sul-americano com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

A atual dívida da Argentina com o fundo foi adquirida no ano de 2018, durante o governo do antecessor de Fernández, o empresário ultraliberal Mauricio Macri.

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Em 2020, o atual mandatário conseguiu um acordo para o pagamento da dívida com um novo calendário, que permitisse ao governo realizar seu programa econômico [que venceu as eleições do ano anterior, impedido a reeleição de Macri] e também as tomar medidas necessárias para enfrentar a recém iniciada pandemia de covid-19.

No entanto, o governo argentino de viu forçado a renegociar esse pagamento novamente, devido a atual crise que enfrentada pelo setor agropecuário do país, em função de uma prolongada seca que atingiu as regiões Norte e Central do país.

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Visita à Casa Branca

Segundo a Casa Rosada, o encontro entre Fernández e Biden acontecerá por volta das 15h45, e também abordará temas como crise climática, inclusão social, ciência e tecnologia, democracia e direitos humanos.

Será a segunda reunião oficial entre os dois mandatários. A primeira foi mais protocolar, já que aconteceu durante a Cúpula das Américas realizada em Los Angeles, em junho de 2022, na qual Biden teve encontros bilaterais com todos os chefes de Estado presentes no evento.

Encabeçada pelo presidente, a delegação argentina também é conformada pelos ministros da Economia, Sergio Massa, e da Segurança, Aníbal Fernández, além do chanceler Santiago Cafiero e do embaixador da Argentina nos Estados Unidos, Jorge Argüello.

A agenda de Fernández em Washington teve seu início na noite desta terça-feira (28/03), quando a delegação argentina manteve uma reunião com 38 investidores, empresários e banqueiros do Conselho das Américas.

Seca histórica

Segundo o Comitê Nacional de Irrigação e Emergência Agropecuária da Argentina, a seca atual é a pior vivida pelo país nos últimos 60 anos, e gerou um prejuízo de ao menos 15 bilhões de dólares nas exportações agropecuárias, o pior resultado registrado neste século.

A agência estatal Télam afirmou que ao menos metade das cidades da Argentina estão enfrentando estado de emergência agropecuária.

Presidente argentino quer alterar agenda de pagamentos da dívida deixada por Macri para viabilizar plano contra os efeitos da seca que o país vive, uma das maiores de sua história

Casa Rosada

Fernández e Biden voltam a se encontrar nesta quarta-feira (29/03), depois de uma primeira reunião em 2022, durante a Cúpula das Américas

Esse cenário também afeta a capacidade do país em arcar com os compromissos adquiridos em 2020, já que o país conseguiu menos dólares que o esperado nos últimos meses.

Segundo o chefe de gabinete da Casa Rosada, Agustín Rossi, a renegociação de metas de pagamento da dívida com o FMI é uma demanda realista, devido ao “caráter dinâmico do acordo alcançado em 2020, que considera a possibilidade de mudanças nas condições externas, como esta seca que está afetando o volume de exportações que tínhamos planificado para este ano”.

Cenário eleitoral

Além disso, a Argentina vive novamente um ano eleitoral neste ano de 2023. A disputa tem um cenário bastante incerto, depois que o ex-presidente Macri anunciou que não será candidato.

Ademais, o próprio presidente Fernández ainda não assegurou se será candidato à reeleição. Boa parte da imprensa argentina aposta em Sergio Massa, ex-presidente da Câmara dos Deputados e atual ministro da Economia, como o candidato da coalizão peronista Frente de Todos, apesar de ser um dos nomes mais moderados do setor.

Entre os setores mais a esquerda dentro do peronismo, os nomes especulados são o do deputado Máximo Kirchner, filho dos ex-presidentes Néstor e Cristina Kirchner [esta última, também atual vice-presidente e presidente do Senado], e o do ativista social Juan Grabois, figura ligada ao Papa Francisco. Nenhum dos dois, porém, oficializou sua pré-candidatura.

Na direita, descartada a opção de Macri, os principais candidatos são o atual prefeito de Buenos Aires, Horacio Rodríguez Larreta, e o deputado de ultradireita Javier Milei, ambos já anunciados como pré-candidatos [disputarão as eleições prévias marcadas para o mês de agosto].

O primeiro turno das eleições argentinas acontecerá em 22 de outubro. Caso seja necessário um segundo turno, ele será realizado em 19 de novembro.

(*) Com informações de Página/12 e Télam