Agricultura sustentável: pequenos produtores de Cuba dobram produtividade e usam 70% menos fertilizantes industriais
Agricultura sustentável: pequenos produtores de Cuba dobram produtividade e usam 70% menos fertilizantes industriais
Um processo agrícola e também um processo social. É desse modo que Peter Rosset, pesquisador do CECCAM (Centro de Estúdios para a Mudança no Campo Mexicano), define a agricultura ecológica cubana. A metodologia começou a ser aplicada na ilha caribenha em 1999 e cerca de 10 anos depois atinge aproximadamente 110 mil famílias. Para efeito de comparação, em toda a América Central, somente 30 mil famílias usam essa metodologia.
Segundo Rosset, “a produção agroecológica é mais ‘verde’ por dispensar o uso de fertilizantes industriais, emite menos gases de efeito estufa e obtém maior produtividade”. Os agricultores cubanos que utilizam esse método usam 70% menos fertilizantes e dobraram o volume de suas colheitas.
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Outro fator de inclusão social além do compartilhamento de técnicas entre os agricultores cubanos é que “os facilitadores recebem pagamento para organizar as aulas e palestras técnicas sobre a agricultura sustentável. O benefício é pago pelas cooperativas, mas uma contrapartida é exigida: a comunidade só paga quando há um incremento efetivo na produção local”, conta o pesquisador.
Rosset diz que “apenas as técnicas de eficiência comprovada são adotadas pelos agricultores”. Os testes são feitos em pequenas áreas para evitar o desperdício de recursos. “Cerca de 95% das técnicas agrícolas desenvolvidas em todo o mundo não são aproveitadas. Isso é um gasto desnecessário de dinheiro”, critica o assistente.
Com as mudanças na agricultura, até a dieta alimentar da população cubana foi alterada. “Até os anos 1950, a maioria da população tinha uma alimentação baseada em produtos difíceis de serem cultivados no clima tropical: trigo e carne e leite de vaca. Hoje há um consumo muito maior de raízes, verduras, tubérculos e de frango, mais adequados ao clima cubano” afirma Rosset.
“A agricultura sustentável pode ser uma solução para dois problemas que o mundo enfrenta hoje: as mudanças climáticas e a necessidade de suprir uma maior demanda por alimentos”, explica o paraguaio Salomón Dias Ruiz, um dos técnicos que esteve em Cuba para observar a experiência lá desenvolvida.
De acordo com Ruiz, o bolso dos agricultores “sofre menos” com o uso de fertilizantes naturais e com o manejo integrado das pragas que infestam as plantações. “Em alguns casos, a economia feita pelos produtores chega a 90%”.
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