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Há mais de uma semana, argentinos contrários à presença de imigrantes em Buenos Aires fazem campanha contra a “usurpação da capital” e realizam protestos exigindo a saída dos estrangeiros – em sua maioria, peruanos, bolivianos e paraguaios. Nesta segunda-feira (13/12), os distúrbios culminaram em um enfrentamento violento contra imigrantes.

Efe



Vista geral do parque Indoamericano, em Buenos Aires, ocupado por imigrantes

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Cerca de 40 pessoas atacaram com armas de fogo, pedras e paus os ocupantes do clube Albariño, em Villa Lugano, que pertence ao time de futebol Clube de Lugano. Os imigrantes que estavam no local reagiram, atirando pedras. Segundo reportagem do jornal local Página 12, tanto a Polícia Federal quanto a Polícia Metropolitana estavam presentes no momento, mas não conseguiram impedir o ataque.

O clube Albariño é um dos lugares ocupados pelos imigrantes e é “defendido” por argentinos que querem “salvar Buenos Aires, cidade usurpada pela presença estrangeira”, como descreve o blog da ONG Defendamos Buenos Aires. O clube fica a 15 quadras do Parque Indoamericano, segundo maior parque público da capital, localizado na zona sul da cidade, onde houve o primeiro episódio de violência, na última terça-feira (7/12), quando um despejo realizado pela Polícia Federal e pela Polícia Metropolitana terminou com a morte de duas pessoas. O parque já possui 13.333 ocupantes, segundo o Ministério do Desenvolvimento Social.

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Nesses enfrentamentos, 30 pessoas ficaram feridas com balas, a maioria imigrantes, segundo o Página 12, que cita dados do sistema médico público argentino SAME. Ao todo, quatro imigrantes morreram. Até agora, ninguém foi apontado como suspeito, responsabilizado ou preso pelos assassinatos.

A ONG Defendamos Buenos Aires definiu o episódio de segunda-feira como “uma pequena tragédia para um bairro já muito sofrido”. E argumenta que “nesse clube [Albariño] dezenas de crianças participavam de atividades recreativas e esportivas, algo que, pelo menos por enquanto, não poderão fazer”. No blog, o grupo não apresenta uma solução para o que consideram um problema na capital argentina, mas pedem que a “Polícia Federal se encarregue para evitar derramamento de sangue”.

Pessoas que ocupam a região disseram em entrevista ao jornal argentino La Nación que estão ali pelo trabalho, que querem um teto, pois não têm comida ou água, apesar de trabalharem. “Não queremos [moradia ou terreno] presenteado, mas também não temos dinheiro, é lógico”, queixou-se um dos imigrantes, que espera que o governo apresente uma solução.

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Complicações políticas

Os enfrentamentos não são apenas violência social, mas também um problema político. O prefeito de Buenos Aires, Maurício Macri, afirma que a imigração está relacionada ao aumento da criminalidade e pede ajuda ao governo federal, acusando a presidente, Cristina Kirchner, de omissão e de ter permitido o massacre.

Para Cristina, oposicionista de Macri, o governo municipal é xenófobo e incapaz de lidar com a situação. O gabinete de Macri e de Cristina devem se reunir hoje para tentar encontrar uma solução para a crise, segundo o site do jornal Perfil.

Na noite de ontem, o presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu que os bolivianos “não tomem prédios na Argentina”, que trabalhem dignamente e ofereceu terras em território boliviano para tentar resolver o problema, convidando os imigrantes a voltar a seu país, informou a ABI (Agência Boliviana de Informação). Hoje, o ministro de Relações Exteriores da Argentina, Hertor Timerman, vai se reunir com um representante da Embaixada da Bolívia em Buenos Aires para discutir o assunto.

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Agressões a imigrantes são retomadas em Buenos Aires

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